Arquivo do heróis da resistência.
Posts publicados no Blogspot e no Blogger.com de Janeiro a Julho de 2003.
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Domingo, Fevereiro 29, 2004
Posted
1:18 PM
by ARMANDO GIMENEZ
de 11/05/03
Eu já morei sozinho numa pensão e tive que cozinhar num fogãozinho de 2 bocas quando chegava tarde na pensão. Apanhei mas aprendi alguns truques.
Então chegou a hora de socorrer os amigos com a velha experiência.
Lá vai meu momento Olivier Anquier.
PAUSA CULINÁRIA
Siminina,
Penalizado com sua situação culinária de fogão-novo-que-só-faz-miojo, vou te ensinar passo a passo um truque que se encenado com classe vai impressionar deveras seus homens estocados... até os do freezer.
Há que manter o segredo para proteger a confraria dos Deserdados da Cozinha.
Material
3 coxas de frango daquelas que vem com uma chulapa de peito junto
1 envelope de pó para sopa de cebola (Knnor ou Maggi... sei lá)
2 garrafinhas de Malzbier (cerveja preta, mas não aquela doce, a tradicional)
Modus operandi da trapaça
Pega sua panelona Tramontina nova e tasca as cervejas lá dentro com o envelope de sopa de cebola inteiro (tem que abrir o envelope antes pra retirar o conteúdo... se você for iniciante nível zerozero) e mistura para dissolver.
Vai espumar como um cão raivoso... fica fria que é assim mesmo.
Põe as coxas (as do frango... as do frango) arrumadinhas dentro para ficarem imersas na lama marrom (é essa a cor mesmo, não faça carinha de nojo).
Acenda o glorioso e enfim útil fogão novo e... é obvio... ponha a panela em cima para cozinhar o frangão.
Tem um momento, quando começar a ferver, que você deve reduzir o fogo para a panela não transbordar... deixa em fogo lento por 40 minutos.
Nos primeiros cinco minutos vai exalar um cheiro de cerveja que sua cozinha lembrará uma noite de sexta no Lamas... fica fria de novo que assim que o levedo evaporar o molho vai transmutar-se em algo tão fino e misterioso que você não vai acreditar.
Por fim, antes de servir, jogue umas folhinhas de ervas (coentro, cebolinha, etc) cuja missão é dar aquela impressão de que foi você que fez o tempero.
Olha aqui... arranja um pãozinho esperto porque o cara da geladeira vai querer raspar o molho da panela.
Misencene marketeira para servir
Vai ficar um prato com um gosto maravilhoso que lembra de leve uma galinha a cabidela, mas com aquele molho fino de um saucier da Borgogne.
Então diga que é uma receita de família, que o seu pessoal trouxe da Europa ou que um amigo seu que é alquimista achou num alfarrábio medieval e que você jurou velar segredo.
Acrescente, se necessária, a informação de que é afrodisíaco o raio do prato.
O Rato Traidor da Pia não vai querer mais voltar pra geladeira... nem você vai querer que ele vá!
Cá entre nós, o prato é conhecido como Franga Bêbada, mas mantenha a classe da trapaça e chame de Coq-au-Sortilege...
Estou me sentindo como uma tia velha ensinando truques femininos de família.
Enfim... sobrinha querida, seja no mínimo feliz com seu fogão novo.
Armando G
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1:12 PM
by ARMANDO GIMENEZ
de 09/05/03
Estou tentando bravamente por as fotos nos textos com dois objetivos principais: tornar menos clean e mostrar coisas inacreditáveis que não tenho peito de dizer sem provas!
Curiosos? Então torçam os da plebe ignara ou me ajudem os mais agateemelizados informófilos...
Só hoje e ontem quebrei a cara umas 4 vezes...
Vou à luta... sei que "é mole", mas é que eu sou uma anta informata... quem sabe uma informanta... mas o problema já estaria resolvido se a Ana me liberasse a Fê 5 minutos.
Enquanto isso continuo a cumprir minha sina de pai abandonado neste vale de lágrimas...
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1:10 PM
by ARMANDO GIMENEZ
PREENCHENDO A FICHA DE MADAME
de 09/05/03
Eu tenho uma amiga que é um poço de paciência para lidar com o público, tanto que atende sempre os mais difíceis de aturar. Parece que sobram para ela sempre os encrenqueiros e criadores de casos.
Nos vemos periodicamente quando vou fazer meus checkups, ela é enfermeira e atendente com o maior saco que eu já vi. Quando ela morrer um dia velhinha, espero... vai pro céu de taxi e tocar a buzina na porta!
Senão vejamos o papo que presenciei hoje mesmo quando ela preenchia, já finalizando, a ficha de uma dondoca emergente, oligofrênica no limite.
- Sua idade senhora?
- Tem que saber isso também é?!
- É minha senhora... é para orientar os parâmetros do laudo após o exame.
- Humpf... "zeocherinta e... cinco"! Rosnou sem confirmar...
- A senhora é diabética?
- NÃO SEI NÃO... MINHA FILHA...! SE ESTOU FAZENDO EXAMES É PARA SABER!!!! (troque as maiúsculas por decibéis beirando os 100 para que todos ouvissem até no elevador 3 andares abaixo).
- A senhora toma algum remédio e quais?
- TAMBÉM PRECISA DIZER ISTO... É ?
- Sim. É para garantir a exatidão dos resultados se mascarados pelo uso destas substâncias... (explicou na maior paciência!).
- Sim... anote aí então: ginseng, ginkobiloba, guaraná, extrato de açaí, óleo de catuaba e... PROZAC !
Eu me segurei o mais que pude... eu juro... escondidinho atrás duma revista Caras antiga, destas de sala de espera... comecei tremendo muito e a revista desmontou... até que eu explodi e levei todo mundo comigo na risada.
Faz um ano que eu precisava era de uma gargalhada destas e eu fiz como a madame: me fartei sem receita!
Eu preciso taaaanto!!!
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1:08 PM
by ARMANDO GIMENEZ
PPNPP -A Confraria Proibida
de 06/05/03
Agora me lembrei de antiga dívida com a Jeanine: explicar o que é o PPNPP.
Fico tentado a dizer "era' mas não dá, tem uns 10 ou 12 na ativa ainda mas já dá para tornar público sem riscos de reprovação em alguma matéria obrigatória.
Meio que para parodiar a mania gringa do norte de fazer aquelas sociedades secretas das universidades, as Alfa, Phi, Delta, Kapa, fundamos a PPNPP que é a sigla secretíssima na época de "Paqueram Pacas Mas Não Pegam Picas!".
A atividade mais underground que bosta de cascavel era simplesmente ter uma musa, a ser fisicamente defendida na sua beleza diante das demais candidatas do pedaço.
Tínhamos cada um uma, algumas das vezes de tão boa, 2 ou 3 escolhidas podiam ter 4 ou 5 defensores de sua beleza... era raro, mas acontecia apesar de que toda unanimidade é burra segundo Nelson R.
Tinha era uma ética feroz: não se podia conhecer, no sentido bíblico, a musa. Tinha que ser platônico o lance... tesão recolhido mesmo as vezes a duras penas.
Fico lembrando do Manual Canônico medieval que ensinava aos cavaleiros andantes das Cruzadas... o que fazer para controlar uma ereção dentro da armadura... eu nunca soube mais... também cagamos... nunca usei armadura... se alguém aí souber fala!
Alem da execração pública e cassação da carteirinha virtual, o pecador era admoestado, primeiro em cena aberta... se bem que quase sempre parabenizado nas coxias dependendo do ganho, é claro!
Tínhamos do quadro acadêmico, além do corpo dicente, pessoal do corpo docente... agora... decente não tinha ninguém, é claro!
Debatíamos ferrenhamente além das Musas, as atrizes, as capas e paginas centrais às vezes, mas sobretudo preferências vivas locais, de físico louvável. Nessa época eu enxergava bem e sacava do assunto, aliás saco ainda que é igual a andar de bicicleta... a gente não esquece nunca!
Tinha cada departamento louco que vocês nem imaginam... perna, coxa e peito eram para a plebe ignara... os puristas são os caras que curtem pés, mãos e narizes.
Às vezes eu tinha que intervir pra evitar porrada de verdade, às vezes até ameaças de vingança do poder vigente... "Eu vou te fuder na final, seu puto!".
- Perahi Mestre, refresca um pouco, estás confundindo as áreas... a menina até que tem seu valor... analisada assim mais de perto... dá um tempo... trás aí um cafezinho pro Decano, gente!
Isto me remete a uma discussão célebre nos anais (epa) digo alfarrábios do PPNPP.
Bruna Lombardi morta e nua em cima de uma mesa fazendo o Diadorim morto na minisérie da Globo.
"A baixinha é perfeita... não tinha uma celulite" alguém comentou provocando os puristas mais fetichistas que prezam, com comedimento é claro, um pêlo discreto, um buço loirinho, e pasmem... uma discreta e localizada estrategicamente: celuliteZINHA... porra... entendam de uma vez... ZINHA!
Eu mesmo defendia isto da celulite e também aquele rodamoinho loirinho no final das costas (que a Brahma agora usou pra guiar aquela gotinha de cerveja malandra).
Estes pequenos detalhes é que dão o toque de realidade terrena na mulher, cara... senão é um ET daqueles retocados da página central, catso! O Hugh Hefner é um grosso... tem nome no ramo, mas não saca nada!
A gente não tratava de Pinup-Girl, o assunto era mulher, viva, balouçante, carioca e local... e se vocês perguntam onde se escondem durante o ano aquelas monumentais do Carnaval da Avenida... é na Gama Filho... pronto revelei! Se eu fosse macho agora fazia um Mestrado, cacete!
- Não há tesão que resista á perfeição absoluta, cambada!
Eu disse isto uma dúzia de vezes nos debates oficiais do PPNPP regados a milkshake e bananasplit.
Mas é claro que meus desafetos tentaram destruir minha reputação de esteta, propalando abertamente que a minha musa verdadeira "era a Wilza Carla"... e eu piorei mais ainda minha posição retrucando com o dado histórico resgatado (confiram aí com os seus avós) de que ela com 20 anos era a vedete mais cobiçada da praça... ahi entornou o caldo de vez.
Parecia que eu tinha gritado um PQP na missa das 6:00... Ohhhhhhhh!!!
Isso me remete também a que as verdades são relativas... a minha musa, por exemplo (vocês já iam perguntar eu sei...), era uma morenaça que ganhou a minha defesa 2 anos inteiros, porque além de linda, era irmã gêmea da Leila Diniz, aquela que eu comia diariamente dos meus 10 anos aos 15 (depois eu comecei com a natação e o braço esquerdo desenvolveu igual ao direito, hoje nem se nota).
Ela tinha beleza e presença, a safada... mas acabamos finalmente nos conhecendo no último semestre, fazendo ambos aquelas matérias penduradas que todo mundo deve no final.
Ela já fazia Direito havia uns 7 anos, creiam... era burra como uma porta, mesirmanos.
Seu Grayson perto dela era Paulo Francis e para coroar o tombo tinha uma risada eqüina estridente e que denunciava a falta de quorum dentário dos molares pra trás... quando engastalhava um pedaço de misto quente ela resgatava o puto delicadamente com o polegar e o indicador sem esquecer da etiqueta e levantar o dedinho mínimo... (ecatiblearghhhh...).
Fui mau, né? Caiu do trono a minha musa nos primeiros 10 minutos de conversa... mas não pode reclamar da minha fidelidade.
Enquanto na distância cega eu a defendi com unhas e dentes (epa) no debate estético do PPNPP, é claro. Já fiz minha retratação pública dando a baixa da Musa caída assim que pude e junto aos meus pares, sobreviventes desta era jurássica.
"O maior inimigo da verdade não é a mentira... mas sim a convicção!"
Minha musa hoje... eu acompanho de perto desde que nasceu que eu não sou besta... ela está com 2 anos 4 meses e além de linda é carinhosa e inteligente... e tem o espírito libertário do avô, é claro!
Falei... beijo tchau!
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1:05 PM
by ARMANDO GIMENEZ
OS SEMIDEUSES
de 05/05/03
Eu conheço gente que tem parte com a natureza de um jeito tão íntimo que eu penso que são meio gente meio bicho.
Tem os que voam com asa de pano, os que surfam no vento, gente capaz de se pendurar em uma pipa de pano e ser arrastado para as ilhas em pé em cima de uma tábua de passar roupa... ou se despinguelar de cima de uma cacheira em cima de uma boia...
Bem, eles dominam a coisa e põem nomes bonitinhos nessas doideiras todas e aí fica até parecendo mais seguro. Kite-surf, skydiving e rafting nem parecem que tem nada a ver com se pendurar num papagaio ou pular de um avião com um lencinho de seda nas costas, nem aponta que os caras sejam gente anormal... fica parecendo até esporte de gente séria.
A minha Semideusa do Mar é uma morena fibrosa com mania de fazer travessias pelo oceano dentro de caixote pontudo que ela chama de "o barco mais seguro do planeta" e que nós mortais conhecemos por Kayak.
Pra quem não sabe é um pepino de plástico com a forma de um supositório e um buraco no meio que contém metade do doido... a outra metade que fica de fora que se cuide no vento e na água. Entenderam? Mas nem de longe... é preciso entrar dentro de um pra saber.
A grande vantagem desse invólucro é ser impermeável da cintura para baixo e isso significa que se o seu organismo se manifestar de forma indigna durante um acesso de medo das ondas, as pessoas a sua volta jamais saberão até você sair do barco. Tem um saiote plástico vedado que eles negam... mas eu sei que é para segurar o cheiro quando você se borra de paúra!
Isto no caso de você estar acompanhado, é claro... mas como se fosse pouca adrenalina a Craca faz suas travessias sozinha.
Remou entre as baleias de Abrolhos e tubarões, subiu o São Francisco em área de piranhas, preocupada apenas com a menstruação... quer dizer, era uma isca viva e se divertindo, saca?!
Uma de suas melhores estórias na minha opinião era estar perdida nos mangues de Sepetiba e já anoitecendo, o que faria o freguês virar comida de mosquito e caranguejo e o fundo de lodo grudou o kayak que nem cola. Ela tinha que tentar achar a saída para o oceano rápido.
Ela entra em alfa e começa a pedir ajuda mental aos peixes que começam a pular e mostram para ela a direção dos canais mais fundos e continuam até que ela sai da enrascada ajudada por savelhas e manjubinhas.
É claro que ela tem uma explicação racional para tudo isso, mas eu sei que ela tem parte com a água, já fomos para o mar juntos e eu sei como ela reage instintivamente primeiro e explica racional depois.
- Era clara a mensagem... se eu fosse uma sardinha eu pularia na direção do mais fundo, ora! (explica).
Acontece que ela é uma sardinha e pula sempre no mais fundo da sua vida, não interessa o risco... ela paga pra ver. Mas não é uma porralouca desprovida de medo, calcula, planeja e se arrisca no fio da navalha.
Malandro é malandro... mané é mané (sábio ditado surfista...).
Muito bom voltar do mar e encontrar mais junto da costa, a Simone no meio de seus Kayaks com 10 ou 12 prosélitos em volta lá pelo meio das ilhas e em mar aberto como uma pata cercada da ninhada.
Pra acreditar que estes caras, mais especialmente a Simone, são semideuses, tente sair atrás deles e saberá.
Para mim basta ouvi-la e olhar o fogo dos olhos quando a gente troca estórias incríveis para os não iniciados e que a gente só pode contar entre os maçons da arte da cagada adrenalínica.
Hoje nos vimos depois de um bom tempo e falamos sobre isso e rimos um pouco com 2 estórias: uma do Caracol e outra sobre os verdadeiros Porraloucas que inventam os esportes radicais.
Ela me deu um site, o darwinawards que só conta causos destes e o melhor até agora é de um gringo que queria voar de balão e amarrou vários balões metereológicos numa poltrona e levou junto cerveja e uma espingardinha para furar os balões um a um e descer... esse era o plano.
O cara voou mesmo... mas não há registro de seu destino. Apenas que foi visto por aviões de carreira a 10.000 pés de altitude tomando cerveja sem coragem de atirar nos balões.
Entenderam como começam essas coisas? Provavelmente alguém vai por um nome bonitinho nisto e vira esporte decente. Sugiro SKY-BEERING.
A outra estória fez a Craca dar aquela rizadona que eu amo.
Foi sobre como os simples mortais de ranking inferior na escala PL (porralouquice) curtem a adrenalina.
Vocês sabem o que disse o Caracol grudado nas costas da Tartaruga?
- Yuuuupieeee!!!!.... Seguuuura peão!!!!
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Simone Duarte é campeã de inúmeras travessias e professora de educação física responsável pelo treinamento de canoagem da Escola Naval, da Escola de Educação Física no Forte de São João e mantém uma escolinha na Praia Vermelha.
Aqueles que se interessarem por saber mais sobre este esporte ou simplesmente fazer um belo passeio pelas ilhas monitorado com equipamento e segurança providos por professores especializados podem acha-la no 99549632.
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12:04 PM
by ARMANDO GIMENEZ
INCORPORANDO GERAL
de 03/05/03
Quem tem uma empresa pequena sabe como é duro esse negócio de pagar conta em banco, pegar e levar encomenda e sobre como você tem que ao mesmo tempo ser o boy, o contador, o entregador, às vezes a faxineira e outras figuras menos votadas.
Eu resolvi o "pobrema" aceitando que há certas entidades paralelas vivendo em nós e foi assim que eu saquei que eu incorporo algumas na boa.
O mais freqüente é Valdeirso, o moto-boy.
Vald de Valdirene da mãe e o Irso de Wirso do pai, finalmente assim registrado por esta explicação e também porque o escrivão era um filho-da-puta, é claro.
Enfim... o cara existe e se manifesta em mim toda vez que eu tenho que sair pra fazer banco ou entregar amostras em laboratórios.
Devo um pouco dessa identidade à minha moto preferida, uma Teneré velhinha onde adaptei uma cestinha de carro de feira, o que lhe custou o apelido de Caloi-Ceci, esculachando meu lado macho e sua classe de trilheira.
Como deixo a bicha estacionada no meio das motos da 13 de Maio e ali é o reduto de metade dos cachorros-loucos do Centro, por osmose acabei adquirindo a manha dos meninos e fiz bons amigos no meio.
É claro que lá ninguém sabe o que eu faço, apenas o que vêem... um moto-boy coroa que eles chamam de Decano, Russo, Grande e outros.
Trocamos conselhos, endereço de oficina, elásticos de prender embrulho, emprestamos ferramentas, mas sobretudo... nunca ficamos sozinhos no trânsito. Vocês podem conferir que se tiver um cachorro-louco em apuros... 10 param em volta solidários em 5 minutos pro que der e vier.
Às quartas, rola uma pelada no aterro e eu já estive lá assistindo, é claro, que eu não sou idiota de jogar com eles. Ninguém sabe o nome de ninguém, mas gritam o tempo todo os apelidos e a catimba come solta.
- Vai na bola Cheiro-verde... larga de ser grinalda e enche o tripé desse mané!!!
- Derruba esse pastel do Balbino que ele é otário se fazendo de rei da cocada...
O rei deles aliás e meu preferido é o Asa-preta... um moleque safo de uns 20 anos que é mais tombado que casario em Santa Tereza. Consta que já tem passagem livre em censor de porta de banco de tanto pino que levou no esqueleto... já perdeu a conta de quantas motos destruiu. Se resistir vivo vai ser uma lenda até os 25.
Conheci o Asa quando mudamos a consultoria para o Centro.
Foi ajudando a recolher uma pá de caixas espalhadas na rua por causa de um barbante partido em seu bagageiro.
Ajudei a parar os carros e emprestei meus tensores de elástico para repor tudo de forma segura.
- Mas e aí, Grande... te devolvo como e onde? Onde é tua base? E você como se vira sem eles...
- Deixa pra lá cara... vai usando aí que a gente se cruza nas paradas e aí você me devolve... não esquenta!
Meses depois eu vi aquela figura crescendo no meu retrovisor e gritando ali na curva do Passeio para os Arcos.
Me alcançou e me devolveu embrulhadinhos os dois elásticos que ficaram na sua bolsa meses, esperando me achar.
- Brigadão meu, quebrou a maior pra mim... to devendo... precisando grita!
Ficamos chapas, foi o Asa que achou todas as peças que eu precisava para consertar uma Vulcan importada, que um farolete original custa 80 pratas e o cara achou um igualzinho, zero por "12 Reau... o par... com as lâmpadas!"
E fez a procura de todos os outros badulaques amassadinhos da moto nos antros de abastecedores da boyzada , tudo imitação, mas olha... de longe e você não diz!
A máquina está pronta e a venda, quem se habilita?
Ele só estranhou quando me viu pela primeira vez com a Vulcan lá no estacionamento da Refinaria de Manguinhos. Eu estava saindo e topei com a fera chegando.
- Ué, Grande... de Kawazaki 750, mermão... que luxo! Cadê a Perereca Azul?
- Sacumé, Asa... empresa grande quando a encomenda é pra recolher em Multinacional tem que chegar com classe, né!?
Sacanagem minha... é do patrão e to levando pra lavar que hoje é sexta! (esclareci mais convincente).
- E se ferrou, meu... você e ele... Deus vai dar água hoje de cachorro beber em pé! Melhor você vestir logo o macacão Alba e a galocha que já está armando a maior chuva ! Vai molhar é os cromadinhos do chefe...
O quê ? Não teeeeem? Nem uma capinha daquelas oneway?
Chii... já vi tudo... o cara comprou essa máquina te explorando, velho... maior motão e um mão de porco aquele filhadaputa!!
Concordei e sartei fora antes da água... fazer o quê?!
Amanhã é sábado e tenho umas tomadinhas pra consertar e mais uma cadeira capenga no escritório... vou incorporar o Seu Uóshintom... o zelador... minha sócia de vez em quando até me ajuda nisso, mas amanhã vai estar ocupada em casa "recebendo" a Rozecreide que prepara os congelados da semana.
Axé babá.... saravá... eichhhhiii... cantei pra subir tudo, mesinfi!
Posted
12:02 PM
by ARMANDO GIMENEZ
MARATAIZES, O RESGATE
de 01/05/03
Caíram de cacete em mim, os que reconheceram a estória de Marataizes, porque não coloquei os detalhes que eles lembram.
Tem até puxão de orelha no livro de recados. É que escrever post para mim é novo e difícil. Ou encurta e não diz nada ou conta tudo e ninguém lê até o fim. É complicado.
Acho que por isto tem muito blogueiro lançando livro e peça, talvez forçados pelo desejo de conter mais.
Então vamos ao segundo round de Marataízes...
Quando chegamos na praia sem conhecer ninguém esticamos nosso mais precioso bem terreno: a big teia!
Falando assim até parece equipamento de última geração mas era tão simplesmente uma lona enorme e úmida, esticada na areia quente, onde todo mundo (sem chinelo ou com) passa correndo e a gente dava abrigo temporário para as solas dos pés e patas ardentes.
A depender do papo já ficavam por ali mesmo... meninas, velho, bicho... pintava de tudo.
Era a malha fina mais democrática do planeta. O fato é que no fim da tarde a gente já tinha uma turma no pedaço. Alguns grudaram tanto que até se casaram com a gente depois, pode acontecer... aliás, crianças não façam isto em casa pois as conseqüências podem ter este fim trágico...enfim...
Nessa pisada de lona pintou o que tinha mais em Marata: mineiro.
Em dois minutos tava demais da conta sô... e eles diziam que o lugarzinho era legal mas, "meio desanimadinho, uai..."
De fato à tarde eu saquei que os barzinhos estavam enchendo, mas não se ouvia carnaval nenhum. Todo mundo estava esperando o baile e o baile era um só no único clube, logo e entonces.... carecia do agito e começamos a entender os desígnios do destino que nos levou lá.
A Missão Evangélica Redentora do Desopilante Agito ( é quase uma postura mística tem até sigla o movimento).
Assim resolvidos a promover a MERDA, eu subi em cima da capota do Aquilante com meu velho pistom que morava na mala e demos umas duas voltas pela cidade (isso dá uns 10 minutos no máximo) tocando as marchinha e toques de chamada, parando em tudo que era lugar com cara de bar e zona de meretrício.
Não era absolutamente culpa nossa que o hospital da comarca tenha fachada de puteiro. Então foi assim que algum doentinho mais perturbado telefonou para o Delegado que expediu nossa ordem de captura. Olha a lei atrás de nós de novo, gente...
Aí entra o nosso poder de conexão da Rede (quem diria, heim... sacanas e visionários!) digo da lona... já tínhamos conhecido a filha do homem na praia que nos alertou a tempo da gente esconder o piston que era o único artigo identificador do crime e dos criminosos.
A pena já estava decretada pelo prefeito.
- Encafua esses veranistas até Quarta Feira de Cinzas... tão pensando o que, estes Mineiros!
Aí é que estava o dedo do destino de novo. Um dos nossos novos amigos da Rede era um Mineirão legal e cheio da grana que tinha mais hora de Marata que urubu tem de vôo e estava feliz de pela primeira vez ver a cidade animada, mas gostaria que tivesse sido por mão mineira e não por carioca, então...
O cara saiu até Cachoeiro do Itapemirim para importar a soldo e na hora, a Escola de Samba local.
Mesirmanos... Joãozinho Trinta ia dar cambalhotas, as baianas tinham perucas de estopa, tem malabarista, engolidor de fogo, o escambau...
Entrada triunfal em Marataizes em dois caminhões de caçamba zoando horrores e sobre a capota do primeiro, o patrocinador.
O mineiro vinha fantasiado de dama antiga e como adereço de boca uma corneta militar que ele alugou no corpo de bombeiros de Cachoeiro.
Entraram pela rua principal zoando a 1000 decibéis e eu assistindo orgulhoso de ter acendido o pavio... até que eles viraram na rua da Delegacia... o Mineirão com o piston na boca e soprando com todo fôlego que a cana deixou de sobra.
Encurtando esse capítulo... a escola saiu numa boa ... o Mineirão... não!
Quando eu morrer ponham essência e raminhos de eucalipto no meu caixão, mode qui se for pronde mereço... é sauna certa!
Pior que isso... só se o Capeta for mineiro, sô!
Posted
11:44 AM
by ARMANDO GIMENEZ
CACHORRO TREINADO
de 30/04/03
Eu estava indo para Teresópolis e levava comigo um cão pastor de 2 meses que minha cunhada mandava para uns amigos que moravam numa República da Medicina de lá.
Eu estava indo para um work-shopp de MKT e não me custava dar uma passada lá nos meninos, revê-los e deixar o cão.
- Armandão, legal o bicho obrigado... mas volta aqui de noitinha que vai rolar uma festa da pesada com o pessoal da faculdade e umas meninas locais... vai ser legal!
Corta logo para a cena da festa... portas escancaradas, luz negra e o maior bolero escapando pra fora.
O cheiro da fumaça verde denunciava (pra quem tinha olfato) que a cannabis era o incenso da hora naquela igreja.
Entrando na sala dei de cara com uma cena Feliniana. Uma das meninas, nua, que eles pré- lambuzaram de leite condensado, era alegremente lambida no sofá da sala... por um cãozinho que, numa segunda olhada mais cuidadosa, era o mesmo que viajou comigo. Parecia feliz e adaptado às novas funções mas com certeza, mais pelo leite que pelos seios. Era um bebê ainda inocente... acho...
Esqueci de dizer que arrastei comigo para a festa um escocês que estava preso em cursos no mesmo hotel que eu estava... havia 3 (três) longas semanas.
Carece esclarecer também que não podíamos sair do hotel e que as únicas mulheres locais eram a telefonista (96 kg e 50 anos de simpatia ) e a Dona do Hotel Pinheiros, Miss Senhorita... uma inglesa até conservada para seus 70 aninhos. O Bill já estava chamando urubu de meu louro fazia dias.
Well... passadas umas 4 horas eu tinha que recolher e retornar com o Gringo para voltarmos sem sermos notados... só que o puto sumira.
Tive que abrir umas 3 ou 4 portas e escutar o diabo de quem (ou o quê) lá estava, até que finalmente achei os 3 juntinhos e abraçados, dormindo o sono dos justos: Bill, a Puta e... o Cão.
Bill bêbado... a puta drogada e o cão cheio de leite Moça (presumo) nos bigodes!
Recolhi o primeiro, enfiei o cara no meu carro e ele foi rosnando até o bairro Quebra-Frasco quando acordou assustado e gritando...
- Puuuutaaaqueeeeoooopariuuuuu... pariu... pariu... pariu... pariu! (o resto era eco mesmo, da montanha de onde eu quase rolei com carro, gringo e tudo depois da freada).
- Porra, Bill... que foi... eu atropelei alguém na neblina? Fala gringo...
- "Arrmandhu" (recupera o fôlego)... for Christ sake, man... qual foi o peito que aquele cão lambeu?
O resto da noite foi um inferno... ninguém dormiu de preocupação... ele acordadaço me fazendo mil perguntas e eu jurando mil vezes que o bicho tinha sido vacinado contra tudo que era "social-and-tropical-disease"! Era um super coquetel imaginário que imunizava da hidrofobia até a gonorréia.
Bem... encurtando o Post... A piranha era mestiça e eu não sabia a sua procedência pra garantir nada... mas o cão, bro... era de linhagem, pedigree e filho de Ralph Filkenstein (o único policial que eu conheci que corria da policia )... coisa fina! Um especialista em rotas de fuga...
Consta que seu herdeiro acabou seus dias velhinho em Terê, famoso e depois de sobreviver a muitas festas na Re-púbica (deixa assim) de onde saiu formado como o único Pastor Puteiro do mundo... uma nova raça de caçador capaz de apontar a 100 metros de distância qualquer vagabunda da cidade... mesmo se disfarçada de freira!
Consta que recebeu também o Título de Doutor Honoris Causa da Faculdade de Medicina de Teresópolis por suas habilidades, serviços e pelo conjunto (sic) da sua obra!
Acredite se quiser! Eu vi!
Posted
11:42 AM
by ARMANDO GIMENEZ
FUGA DE MARATAIZES
de 29/04/03
Máquina do tempo again... carnaval de seilahquando e eu duro que só bunda de estátua.
Solução: passar os feriados em Teresópolis na casa de uns amigos. O carrinho das farras era na época um Teimoso que, para quem não lembra, era a versão populacha do Gordini, feito para ser vendido pela Caixa Econômica.
Não tinha forro e os bancos eram de lona mas vinha com motor, dois faróis e um freio de mão... tudo incluído no preço... inacreditável.
O carro existia e andava desde que abastecido, coisa que a conjuntura econômica não permitia faziam 3 semanas.
Estava eu na piscina em Terê quando ouvi na porta o inimitável som da trompa da Armada Brancaleone, instrumento que morava eternamente na mala do Teimoso.
Como podia ser? Todo mundo estava duro e passando o carnaval com parente!?
Mas lá estava na porta o carrinho e meus dois asseclas da Armada equipados com um tanque cheio, sunga, tênis, jeans e provisão de boca para uma semana: um saco de 10 kg de arroz!
Cara... isso dava pra dar a volta ao mundo na opinião abalizada (ou avariada) dessa turma de três: eu, o Zé e o Leo.
A idéia era rodar e comer até acabar gasol e rango.
- Mas arroz puro na panela, bro?
- Neris, vai ser com o acompanhamento que pintar, peixe, marisco, abacaxi, pão velho... saca a criatividade culinária temperada com o melhor das especiarias... a fome de surfista.
- Ta legal... já saquei até que vai ser no litoral e que o pescador de plantão serei eu...
- Mas claro bro, seus equipamentos e armas de mergulho já foram devidamente surrupiados na sua casa e estão morando na mala do Aquilante (nome da viatura em homenagem a montaria do nosso herói maior, Brancaleone Da Norccia... personagem do Vitório Gassman).
- Bem... o plano é bom e isso aqui ta muito chato... entonces me dá 5 minutos que eu vou lá dentro brigar com a namoradinha e já volto prontinho para a viagem.
Fomos para Marataizes... porque? Sei lá... acho que foi para o Zé conhecer a Helena e se casar depois... ou para testar a teoria do arroz... enfim a única pendência no "plano" era não termos fantasias.
As meninas locais (sacou que já chegamos vapt vupt) me pintaram de rolha queimada, fizeram um saiote de capim que me dava uma coceira dos pecados e como adereço de cabeça prenderam, a grampos mil, um fêmur branquinho de vaca (espero) que eu achara numa estrada. Estava de Sexta-Feira ou Pedrita Crioula, que sei eu.
O fato é que no fim da primeira noite tivemos que sair às pressas de Marata com os nativos mais belicosos no nosso encalço e foi uma merda federal chegar no carro.
A providência divina se manifestou inspirada num ato Bíblico quando eu arranquei o fêmur dos cabelhos e sai distribuindo ossada com fartura Sansônica nos filisteus mais belicosos até alcançarmos o carro estrategicamente (sempre) localizado para estas fugas, confesso, meio freqüentes demais para nossa saúde.
Até hoje não sabemos direito a origem de tanta ira anti-hospitaleira.
Os meninos achavam que um de nós paquerou a gata errada, eu já acho que foi o baixo ibope do refrão final da marchinha que eu compus e cantei no intervalo da bandinha local.
As meninas (hoje avós) acham que foram as duas coisas combinadas...
Estava aqui lembrando... nós 3 cantando em uníssono:
Marataizes terra adorada...
Bonita quaaaaal um jardim...
Tem chifrudo assim
Tem chifrudo assim (fechando os dedinhos em sinal de muito e pulando)
Tem chifrudo assim... tem chifrudo assim ( bis e já registrando hostilidade around...)
Tem chifrudo assim ( e já correndo para a porta.. .com os kranhakarore atrás da gente)
Bem, conseguimos escapar com osso, saiotes e o saco de arroz pela metade.
Na pressa descobrimos uma estrada que passava pela serra litoral que nunca achamos no mapa mas que nos deixou em Cataguazes, em Minas.
Legal o carnaval lá, mas só tinha um clube o Social de Cataguases onde a única bola preta era não permitir álcool no ambiente.
Nesse baile, como a Pedrita estava meio despedaçada desde a véspera, arranjei emprestado umas meionas de futebol, um chapéu de feltro e uma bermuda caqui.
Fui de Escoteiro... e como andava sempre alerta... adivinha o que entrou comigo malocada dentro do cantil?
Posted
11:39 AM
by ARMANDO GIMENEZ
JUSTIÇA FELINA
de 29/04/03
Tem gente que me pergunta o que eu faço para viver e eu nunca penso muito nisto assim.
Passei uma parte muito antiga da minha vida planejando cada passo profissional imaginando onde eu queria estar dentro de um ano e estas imagens quase sempre tinham gravata, carro do ano e sempre... significavam tomar o lugar de alguém acima.
As empresas eram um campo de batalha e meu livro era O Príncipe de Maquiavel.
Essa descrição de perfil eu resumo hoje com uma palavra: babaca!
Não muito tempo antes disto eu estava em cima de bancas de jornal catilinando contra o "entreguismo" e as Multi - nacionais sem saber que eu passaria o resto de meus dias de uma forma ou de outra trabalhando para sua glória e poder.
Lorca dizia que quem não foi ativista aos 18 não tem coração e quem for depois dos 30 "no lo tiene cabeza'... ele devia saber que ia perder a dele assim mesmo.
Um belo dia eu imaginei (já era iniciado no culto da loucura!) que as gerencias das fábricas eram uma prancha de cortiça atrás da mesa de um Babaca - Mor, cheia de alfinetes coloridos mal espetados... cada um de nós era uma cabecinha de plástico colorida enfeitando a sala do BM em questão.
Na minha doideira então eu imaginava que dava um vento aleato-periódico (eitchaaa... recaída!) e derrubava a porra toda no chão, ou podia ser até um espanador mal pilotado... sei lá...
- Chiii... e agora espalhou tudo que era alfinete... aonde é que estava mesmo esse puto... ah sei lá... espeta ele aí em Belém do Pará, cara... se ele reclamar a gente deixa ele uns anos na filial de Cuchurumirim... não esquecendo de dizer que é vital pro "Plano de Carreira" dele.
E nessa eu entrei até que comecei a sacar que agora tinha uma família de duas filhas crescendo longe da minha família e uma mulher que sofria calada me seguindo sem ter assinado contrato nenhum com a British América Tobbaco.
Até que aconteceram dois fatos novos: Regina Duarte e Miucha
(Calma aí pessoal, não comi ninguém... jaxplico...)
A novela das 6 abria mostrando imagens do Rio e minha mulher desabava quando via os postes do aterro na telinha... e eu catso... me sentia um crápula com horário... todos os dias às 7 em ponto.
Le puto de jour... manja?
Até o dia que eu cheguei em casa pensando (no trajeto) que eu não teria mais carro com motorista, casa e despesas pagas... se eu chutasse o balde.
Neste dia eu tinha tido uma conversa com o Big One declarando que ficaria "muito feliz" se ele me transferisse para casa (RJ). Eu já estava há 5 anos na Bahia, afeee... aja axé, meu rei!
Alguém grudou meu alfinetinho com força... enterradinho lá na cortiça do DRH do HQ do BM da PQP.
Entrei em casa com a sua resposta na cabeça, qualquer coisa sobre "a empresa vem em primeiro lugar para os nossos executivos de carreira e futuro..." e salve salve nosso Brazil (deixa o Z) varonil pátria amada... e o scambau quiucunemeu!
Quando abri a porta minha filha estava ouvindo na vitrolinha (era assim em 77), os saltimbancos do Chico e exatamente alí (a Paula vai adorar este pedaço) a Gata (Nara Leão) dizia:
- Nós Gatos já nascemos pobres... porém, já nascemos livres... senhor, senhora, senhorita... felino? Não reconhecerás! Me acariciaram... me aliciaram...
De lá para cá eu vi muito acontecer por estes becos e telhados da vida, mesirmanos... e não morri nem de fome nem de tédio.
No dia seguinte eu me demiti da Souza Cruz... e tirei a minha alma do prego!
Posted
11:35 AM
by ARMANDO GIMENEZ
MAL OUVIDO & MAL ENTENDIDO
de 23/04/03
Todos me perguntam porque eu nunca escrevo sobre petróleo. Então lá vai uma meio petrolífera.
A nossa gasolina sabidamente não é das melhores e os carburadores das motocicletas importadas não aceitam os aditivos das azuis, das super dooper scooper, das extras premiums então... nem falar.
Entopem em três tempos... então, a solução é usar da comum... parece que dá melhor resultado regular um carburador desses pela mais barata e portanto menos aditivada das gasois.
Por isto eu sempre paro no mesmo posto, que aliás é o único da minha aldeia e peço sempre do mesmo jeitão e pro mesmo frentista há uns 15 anos (pelo menos) e para ter certeza que ele está na bomba certa.
- Zé... é vagabunda?
- É, Seu Armando!
- Então enche até em cima!
Isso já virou uma brincadeira nossa, que "eu sou chegado a uma vagabunda", etc.
Até que... onceuponatime eu cheguei na bomba de noite e tinha uma vampira num jipão de caça, peruésima e terminando de encher o tancão do chamativo Batjipe com azul... daquela 12 anos, saca gasol envelhecida na Escócia?! Puxou o talão de cheques e pagava...
Rola até que jogou um certo charme aqui em cima do urso velho, que já de tão cego e desligado nem sacou.
Como sempre encostei na bomba do lado de fora e perguntei na boa.
-Zé... é vagabunda essa?
-É sim, Seu Armando, com certeza (estava entrando na moda a porra do com certeza)!
Ah, Margarida... nesse segundo é que eu registrei nas minhas câmeras embaçadas a perua e sem querer encarei ¼ de segundo.
Ela registrou tudo errado porque subiu nas tamancas (no concreto e no abstrato já que era um salto de sandália 7 e meio... uma arma de guerra se necessário).
- Tá olhando o que, Babaca? (deixem maiúscula mesmo que foi assim).
Quando eu vi o estrago estava feito e foi um serviço de Henry Kissinger contornar essa saia justa... e passei até pelas nuances técnicas do combustível!
- Carburador o cacete, mermão... que eu ouvi bem vocês dois...! e deu uma arrancada de emagrecer 3 kg de borracha nos ladrilhos. Só deve ter parado lá no Le Coin...(que maldade)
Tem hora que é melhor nem tentar consertar, sacumaé ! Mas continuamos nós com a pedida mas sempre tomando o cuidado agora, de olhar em volta e falar baixinho no ouvido um do outro o segredinho a meio decibel... correndo o risco até de passar por traficante, viado, que sei mais eu .
Bem... opção melhor que tomar porrada !
Hoje precisamente, ao explicitar o de sempre "é vagabunda, Zé?" eu ouvi em alto e bom som apesar de ter sido dito na encolha.
- Vai é vê pau!
- Que bosta é essa, seu... tá me estranhando, ô porra nordestina? Me respeita que eu já sou avô, ô jagunço... perdeste a noção do perigo, seu??? Já babando e mostrando os caninos rotos...
Cara... aí quem teve que entrar nos detalhes técnicos dos "novos aditivos carburantes"... rapidinho foi ele... ainda bem que tou só cego e não surdo. Desarmei a patada assim que saquei...
Se a SHELL não ensinar a pronunciar certo esse tal de V-POWER pra galera... sei não... vai ter frentista levando um soco na boca, não demora nadinha!
Bem... eu viajo amanhã cedo e vou encher o tanque pela primeira vez "da comum!" que é mais (semanticamente) segura... apesar que também tem V-PAU... fazer o quê!?
Vão calibrar meu pneus e perguntar "quanto põe atrás, patrão?" não adianta nem trocar a porra do posto... é o único na Urca! E a gente já comeu um kg de sal juntos!
Posted
11:33 AM
by ARMANDO GIMENEZ
MEU OLHO ESQUERDO
de 21/04/03
Tenho me sentido como garoto com bicicleta nova. Meu olho esquerdo está uma maravilha enxergando tudo com cores e imagens de altíssimo padrão como há muito tempo eu não tinha.
O direito, coitado, ainda está com tudo nublado, humilhado agora mais ainda pelas informações do seu irmão gêmeo que agora abusa e lambuza em cima dos resultados da cirurgia.
A mim resta ouvir calado esse diálogo surdo entre os meus olhos que há 5 semanas atrás eram incapazes os dois juntos trabalhando, de voltar uma informação confiável como "Este sinal está vermelho ou amarelo porra...? Falem logo, catso!!!" .
- Patrão... que sinal?! (ambos admirados!)
Eu sei que essa incompetência vai me custar umas multas... a não ser que os guardas envolvidos (não registrei nenhum também...) fossem cheios de catarata braba como eu.
Tem outras tantas vezes que eu freei por conta... salvando umas 4 ou 5 vidas assim por baixo.
Com exceção de um porco em Minas que deixou 2 viúvas mas teve um velório glorioso no forno da padaria de Tiradentes apesar de ter sido injustamente acusado de imprudente. Enfim... deixou saudades em nós também.
Como as motos vivem imundas e com as placas cheias de barro, pehaps eu não tenha saído legal em nenhuma foto de pardal, se bem que eu pressinto que a minha bunda é a segunda mais fotografada no país depois da Carla Perez, mercê as merda-qui-nóis-faz .
Enfim (de novo) recebi um elogio escrito e postado do DETRAN pelo meu "desempenho exemplar" o que é muito mais do que eu possa dizer de seus radares.
Agora tenho levado meu olho esquerdo (como tratamento complementar à receita dos colírios do Dr. Paulo Maurício) para passear em lugares estratégicos com cores e movimentos daqueles que ele merece até pelo conjunto da obra.
Esteticamente alijado há um tempão de uma opinião confiável em termos de estética, agora um dos meus olhos, pelo menos, volta a opinar com veemência quando o comentário é merecido.
- Ô Patrão... que banho de beleza, (falando comigo) muito obrigado por ter me trazido aqui no Pepê... eu não merecia tanto!
Ou então infernizando o olho direito.
- Ói só, meu irmão... que proporções, que harmonia que desempenho coreográfico!!!
E a Íris do direito aberta como uma piscina de hotel em Miami só registra a silhueta e a neblina... e então triste... ele mente descaradamente ou na confiança.
- É mesmo...!
Quando é ele quem dá o alarma ainda sai cada mancada...
Outro dia mesmo ele apitou "uma morena" no canto esquerdo do vídeo que ainda resta... e imediatamente o esquerdo bom focalizou nas coordenadas fornecidas na neblina.
- Ô mermão, acorda sô... aquilo é o guarda de segurança do prédio e tem uma informação nova e dupla pra nós: é um negão de 1,90 e se chama Miguel que está escrito com letrinhas miúdas no bolso da farda!
Sacanagem do olho esquerdo cara... bastava corrigir porra... mas tripudiar... assim é demais!
Enfim, até o final de Maio (e se eu posso confiar no meu olho esquerdo), já dá pra ir cumprimentando o guarda numa boa e pelo nome:
- Bom dia, Seu Miguel!
Terça-feira, Fevereiro 24, 2004
Posted
4:52 PM
by ARMANDO GIMENEZ
SEM ASAS
de 19/04/03
Todas as aves marinhas e mesmo outras, fazem o ninhal para passar a noite nas ilhas do litoral aqui no RJ.
Juntam-se a elas os urubus, os gaviões, estes sempre daqui mesmo... mas entre os biguás e martins enormes a gente sabe que tem muito turista que vem de longe, muito longe.
Os atobás por exemplo já viram os gelos da Antártica e os maçaricos tem passaporte dos States, quem sabe não estão a serviço da CIA a 15 mil milhas daqui.
O fato é que a minha gaivota eu achei às 2 da tarde em cima de uma das ilhas Tijucas, pousada e com uma asa partida.
Tentamos alimentá-la e ela recusou vários peixes em forma de filete, cubinhos, inteiros, tentamos diversas formas de apresentação... cheguei mesmo a comer um em demonstração como se fosse um sushi... mas nada. A bicha estava condenada.
Como última tentativa o Rui se enfiou na água de novo e cometeu duas ou três covardias arpoando os pequenos para ver se ela comia o peixe vivo, como estava acostumada a fazer em vôo. Foi recusado como eu.
Nada... orgulho ou trauma, a bicha estava decidida a morrer calmamente e sem alarde. Me olhava bem dentro dos olhos e recebi a sua mensagem telepaticamente (é privilégio dos loucos vocês sabem!).
- Ô meu irmão, vê se me entende... se essa minha asa não tem cura de que adianta eu me manter viva? Eu não vou mais voar, não posso mais escolher e colher o meu próprio sustento. Como vou me sentir, sem dignidade nenhuma, aqui estatelada nessa pedra para que todos olhem para mim com este seu olhar de pena?
Se você percebeu que (a breve carinha de nojo que você fez antes de me tocar diz tudo) por não poder me mover eu estou naturalmente coberta de merda, que por mais natural... para você e para mim ela fede!
Para você é só o cheiro... para mim é a indignidade de estar toda cagada.
Me deixa aqui cara... o sol da tarde vai me fazer dormir devagarinho e eu apenas vou fechar meus olhos e partir... é só você não olhar para trás e me esquecer. Mas vai agora...
Vou morrer sonhando com os vôos incríveis que fiz e todas as paisagens que eu vi, sentindo os sabores e cheiros das lulas e peixes deliciosos que pesquei... sentindo o vento e o sol nas minhas penas... as sensações que você, um reles humano preso à terra só pode imaginar... eu vivi!
Eu entendi a mensagem e procurei deixá-la no mesmo lugar onde a encontrei e ela estava em paz e tranqüila.
Mas eu devia ter seguido logo o seu conselho e sair dali rápido e sem olhar para trás para não carregar comigo a outra imagem que levei.
São 5 horas agora e todas as aves começam a chegar numa revoada sobre as ilhas começando a procurar seus ninhos.
As que tem filhos para alimentar estão tratando de pousar logo com os papos cheios, mas as outras ainda voam em círculos brincando.
No último calor do dia cruzam umas com as outras indiferentes às espécies e rapinas dominantes.
Parece que nesta hora são suspensas todas a belicosidades e todos gozam da trégua diária imposta por uma tradição mais antiga que o tempo.
Assim voam em paz o último vôo do dia há milhares de anos.
Neste momento a Gaivota de asa quebrada parece de repente atingida por uma insanidade terrível e começa a gritar de uma forma que estou condenado a ouvir até a minha própria hora da última insolação.
Ela põem-se de pé com tudo de gás que lhe resta... e tenta desesperada... voar!
Meu barco já se afasta mas ainda a vejo atirar-se ao mar onde permanece nadando como um pato, mas gritando como uma cacatua!
Provavelmente assim será comida rapidamente por um cação durante a noite, mas pensando bem... qualquer coisa é fim melhor do que ter que assistir, apenas... e sem asas... outra vez, a revoada amanhã.
Posted
4:49 PM
by ARMANDO GIMENEZ
QUEM NUNCA COMEU MELADO...
de 17/04/03
Minha neta aprendeu a falar os R...e aí tá abusando do estoque novo.
- Matei uma formirga com o grarverto que eu peguei na rua, que tá querendo minha cormirda, que caiu no meu verstido!
Não é um bararto a minha neta?
Posted
4:47 PM
by ARMANDO GIMENEZ
BAIXOU UMA FOME...
de 17/04/03
Acabo de chegar de uma expedição gastronômica de emergência ao Bar Aurora. Estava feliz porque maneirei a boca essa semana mas acabo de implodir um feijãozinho branco com dobradinha que se fosse na França chamava-se "caçulé" e vinha com mais cenoura e menos culpa.
Tava de comer ajoelhado!
Eu costumo corromper meus médicos, todos, que acabam comprando motocicletas e caindo na estrada comigo, abrindo o gás e com a boca solta. Não sei se tornam-se melhores médicos mas por certo aumentam a clientela porque o perfil ideal do profissional para o meu povo é aquele que caga pro que você faz desde que você pague a conta. E ficam mais felizes, por certo!
Morrem como moscas os meus amigos... mas todos felizes como pinto na merda!
O cardiologista, esse... eu conheci num checkup obrigatório destes encomendados de "super-executivo-de-multinacional-chata" numa das Multi-senzalas que estive acorrentado.
Acabei descobrindo que aquele peso no pescoço era só a gravata que eu prendia no zíper da barriguilha e saía meio corcunda de casa todo dia... mas curei legal, never mind!
Como eu sumi uns 6 meses depois do laudo... ele me achou puracauso no calçadão de Copa numa noite de quinta... ele de jogging e tornozeleira de chumbo no tornozelos e eu de tênis e casaco de couro velhos (não decidi ainda quem cheira pior) com mais 250 motos estacionadas entre as mesas do quiosque do Pedro.
- Ahhh... então é aqui que o Sr. se esconde, seu Gimenez, meu paciente sumido?
- É... sacumé Doc... tenho que tomar umazinha vezinquando (é guaraná mas ninguém desconfia!) com os meus velhinhos senão eles me dispensam da tribo por abandono de posto... mas senta aí, Dr. São-João (já tô protegendo o cara, sacou?) com a gente e toma um Treco-Diet que se procurar tem lá no fundo da geladeira... perdido.
- Não dá, estou tentando perder uma gordurinha aqui na cintura...
Aí, ocês sabem e encurtando... papo vai papo vem... sentou... e até o fim da noite confessou (de tornozeleira e tudo)... que seu sonho a vida toda era ter uma moto...
Ahhh, Margarida... pra que?! Em duas semanas estava adquirindo a sua primeira, uma Shadow negra... o casaco parece que ele já tinha faz anos. Capacete a gente arranjou um provisório...
E foi assim que arregimentei o plantão coronário de duas rodas pros velhinhos.
Bem... o Oncologista que me salvou é o Edu... e pra esse será uma Virago 500 mas vai demorar mais um pouquinho o desvairado queria comprar já...) que o cara não tem nem carteira de motorista! Vai dar um pouco de trabalho pro despachante mas já aderiu o cara... grande aquisição!
O Oftalmologista que me operou há três semanas... bem gente... calma... ainda to trabalhando neste, ainda está renitente mas leva a maior chance de adesão... o cara já está curioso... vamos com calma pra não espantar. Ainda vai operar o meu zoio direito, aí eu argumento mais... esse aí tem cara de uma Super-Teneré 600 cc, vamos checar...
Pola, gente... com esse apoio técnico-itinerante todo... será que não dá para pisar na bola de vez em quando?!
Amanhã eu volto pras alfaces juro... depois do Lamas, é claro... com minha prima nova... é que vai rolar um choppinho happy hour que ela me preveniu que é chegada... fazer o que... é questão de família, gente!
Posted
4:44 PM
by ARMANDO GIMENEZ
O CASO DA PRIMA SUMIDA
de 12/04/03
O meu povo veio das Oropa, metade materna da Espanha, no final do século 19 e o lado pai já estava no Nordeste, eram os holandeses que perderam a última galera ou resolveram ficar no peito (ainda não sabemos).
Da espanholada acho que herdamos tudo de arte, a escultura, o desenho, a cerâmica, a dança e principalmente a música.
A turma que vinha da Espanha, nesta época, tinha filhos homens com idade de serem convocados para uma guerra suja com os árabes que não era a guerra deles e que concentrava sua fome de mortes nos filhos dos operários e dos lavradores e então... toca pro Brasil, misermanos.
Tem um bocado de Gimenez pelaí e alguns estavam perdidos para mim mas eis que essa "tar de terneti" me devolveu uma pá de primos e tios sumidos.
Essa turma morava, na minha infância, na Travessa Ayres Pinto em uma vila da pesada. Todos moravam na vila, era um barato!
Todo mundo era artista lá e a família dominava a vila quase inteira onde íamos passar os domingos.
Duro era sair de lá que eu não queria voltar era nunca, tinha música no ar, brincadeira na rua, porta aberta e liberdade... tudo que um garoto de 10 anos queria.
Lá eu aprendi o que eu queria para mim e que não tinha aqui na Urca naquela época.
Um pouco por causa disto a gente procurou fazer disso aqui uma vila de família esporrenta e doida também e acho que conseguimos se bem que nem aos pés dos de lá.
É claro que a maioria dos vizinhos se chega e acaba grudando na nossa onda, mas ainda tem sempre os recém chegados e os chatos que ficam ouvindo e vendo, cabreiros, em volta sem entender bem o que é aquela tribo esquisita e barulhenta.
Esse lado da família perdeu o contato quando se mudaram, após a morte da matriarca, minha Tia Irene que era a rainha do pedaço e a primeira a estimular aquela zorra em volta dela.
Há uns 2 dias me telefona uma tal Norma procurando a chusma da Urca, ahhhh... depois de conferida as senhas... caem as fichas: Norminha minha prima rumbeira!
Cara... ela achou a gente após uma varrida na Web e na memória dela própria, que era uma criança de também 10 anos que vinha aqui nos fins de semana de aniversários e festas.
Quando o pessoal de lá encontrava o pessoal de cá... afe, então o ruído dava para ser ouvido a quilômetros. Cantoria e gargalhada das palhaçadas...
Como já fazem uns 30 ou 40 anos sem notícias uns dos outros e a Gimenada dos dois lados continuou fazendo mais Gimenez, então tem um bocado de gente nova e causo pendurado sem registro pra resgatar aí.
Primeiro passo será torná-la uma blogueira cachacenta, é claro e depois esclarecer como terminou uma tal corrida no quintal onde, segundo consta nos registros incompletos... alguém queria beijar alguém.
Eu não me lembro bem quem perseguia... mas sei que ela corria melhor que eu... e se era eu querendo... por certo ela escapou e me deixou de beiço no vento.
Como teria sido este o nosso último contato registrado... e a gente não se viu mais... a impressão que fica é que ela correu 40 anos!
Tá cansada, Prima? Então vamos dar uma paradinha pra conhecer agora o resto das tribos perdidas! Tem índio novo pracarai... vai ser papo pra horas...
Posted
4:42 PM
by ARMANDO GIMENEZ
LIMPANDO O HD
de 11/04/03
Estava dando uma limpeza no meu HD (que hoje é sexta, dia de faxina) e encontrei essa pérola do Mario Prata que é a síntese do que eu (nós) penso (amos) sobre as cabeças da minha geração e uma certa regressão que percebo na geração dos nossos filhos com relação a esta história toda de velhice.
Explica tambeém um pouco do espírito dos Heróis da Resistência... senão caiam de pau em cima, seus bundões!
Até lá e diante de um excelente argumento que me demova... continuo assinando embaixo!
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Cinqüentões - Mario Prata
- Não, não se fazem mais velhos como antigamente.
- É verdade. Não se fazem.
- Veja você. Você está com 54. Lembra quando você era jovem, 54 era um velhinho, não era?
- Avô, avô...
- Então. E as mulheres de 54?
- Bisavós, bisavós...
- Não exagera. Avós, também. Aliás, mulher de 40 já tava velhinha. Todas de preto. Iam à igreja. A mãe da gente tinha 40, né? Era uma santa, né? Imagina se fazia o que as de 40 fazem hoje...
- Onde é que você quer chegar?
- É que a nossa geração mudou tudo. Mudou até a velhice. A gente é de uma turma que rompeu com tudo. Esse negócio de Beatles, Rolling Stone, pílula, tropicalismo, isso fez mudar tudo.
- Prossiga.
- É que a gente mudou os velhos que a gente ia ser. Veja a sua roupa. Você está vestido igual a um cara de 20, 30 anos. Você não está de terno e gravata como os cinqüentões de antigamente.
- Você está é justificando a nossa velhice.
- Que velhice, cara! Você hoje faz tudo que um cara de 20 faz.
- Mais ou menos, mais ou menos.
- A nível comportamental.....
- A nível, cara?
- Desculpa, mas comportalmente falando, ficou tudo igual. O cara de hoje, com 50, não se comporta mais como um cara de 50 dos anos 50. Nivelou, entendeu?
- Explica melhor.
- As meninas também. As nossas amigas de 40, por exemplo.
- Melhor não citar nomes.
- É que hoje elas fazem coisas que a gente não poderia imaginar que a mãe da gente fizesse com a idade delas. Estão todas aí, inteiraças. Liberadas, está entendendo? Mandando ver. E nós também. Fora que tem o Viagra que - dizem, dizem - vai segurar mais pra frente.
- Você já usou?
- O que?
- Viagra.
- O que é isso cara? Ouvi falar, ouvi falar. Mesmo porque não se conhece ninguém no mundo que assuma que já tomou. Parece que existe um acordo lá entre eles. Ninguém conta. É de lei.
- Mas não desvia o assunto. Eu não estou falando no desempenho sexual. Estou falando de cabeça. Nivelou tudo. E, pra sorte nossa, nivelou por baixo.Veja a roupa do seu filho. Igual à sua. Antigamente um cara de 23 se vestia completamente diferente de um cara de 53. Ou você alguma vez viu o seu pai de tênis? (nem pênis) Acho que até para jogar tênis ele devia jogar de sapato.
- Se a gente então não está velho, vai ficar velho quando?
- Pois é aí que eu quero chegar. Não existe mais a velhice. Nos anos 60 a gente fez tanta zorra que, sem querer, garantimos o nosso futuro sem velhice. Pode escrever aí. Não existe mais velhice.
- Ficamos imortais?
- Quase. Antigamente o sujeito começava a morrer mais cedo. Ficava uns 10, 15 anos morrendo. Agora não, ele vai ficar até os 80, 90. Daí ele fica doente e morre logo. Acabou a agonia. Pensa bem: a gente está com 50. Temos mais uns 30 pela frente. Firmes. É isso, cara: não existe mais a velhice. E fomos nós que detonamos com ela.
- Mas tem o cabelo branco, as rugas, a barriguinha...
- Detalhes, cara, detalhes. O cabelo br anco, a ruga e a barriguinha hoje em dia são encarados como charme. Mesmo porque os cabelos não ficam mais tão brancos como nos nossos pais. E as rugas também. Os velhos estão cada vez com menos rugas. E pra barriguinha, estão aí as academias. Tem fórmulas.
- E isso vale também para as mulheres, né?
- Principalmente. Eu estava falando nas nossas amigas de 40. Pega as de 50. Tudo com corpinho de 30. Cabeça de 20. Tão até melhores do que nós, cara.
- Peraí, a sua namorada não tem nem 30.
- E isso me preocupa. Tem cabeça de 50. De 50 das antigas. O que serve para a nossa geração, não serve para a nova geração. Resumindo: não existe velhice para a nossa geração. A gente batalhou isso. Agora essa nova geração que vem aí vai envelhecer. Se ela quiser continuar a ser como a gente, vai acabar sendo igual aos nossos pais, como diria o grande Belchior.
- Eu não estou entendendo aonde é que você quer chegar.
- Quero chegar nos 90. Me passa o uísque. Me passa o fumo. Me passa o viagra. Me passa a saudade que eu tenho dos meus 20 anos. Me passa a vida a limpo. E mete os Beatles aí na radiovitrola. Help, please.
Posted
4:39 PM
by ARMANDO GIMENEZ
SAI DESTE CORPO, SATANÁS...
de 09/04/03
Correu tudo bem em São Lourenço este fim de semana. Apenas, eu não fui.
Paciência, agora não dá... estou ainda apenas com um olho bom (operei e está maravilha) graças ao Dr. Paulo Maurício, mas em um mês ele repara meu farol direito.
Com inveja de quem foi, fiz dois comentários maldosos várias vezes e sempre para aqueles que me chamavam de volta para a estrada:
1- Estou como Camões: "Grande vate português, que via mais por um olho, que vós com os três!"
2- Espero que chova para caralho, seus putos!
Então, arrependido, peço desculpas públicas aos amigos queridos pelo exercício de inveja e onipotência desmedido... apesar de que choveu prá caralho na ida e na volta e vocês pilotaram (sei) com os olhos encharcados apesar da proteção das viseiras... e das calças especiais...
Posted
4:25 PM
by ARMANDO GIMENEZ
OUTRA LAMBADA DO TANGERINA
de 07/04/03
Esse bicho é casca grossa mesmo... toda vez que eu baixo em uma pousadinha confortável me sinto culpado por causa destes caras que dormem dentro do casaco... da só uma olhada aí em baixo.
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Prá separar o joio do trigo
Se você nunca usou um tanque ou calota de caminhão cromado como espelho às 5h da manhã...
Se seu mapa de restaurantes não são as placas de "próximo Posto de Gasolina..."
Se sua idéia de "Lugar pra dormir" tem que ter quatro paredes...
E vc tem uma motocicleta...
Pode continuar com ela, porém... Rasga a carteirinha... vc nunca pertenceu a este bando.
(digo bando, pois (desculpe o desabafo!!) clube é o cacete!!!)
Abraço
Paulo Tangerina
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Transcrevi como recebi, malandro!
Posted
4:22 PM
by ARMANDO GIMENEZ
COMPREI UM BOTEQUIM
de 05/04/03
Quando eu falo nos templos da minha religião o pessoal já sabe... é botequim!
Mas não é daqueles só de cana não, tem que ser daqueles com restaurante e com uma especialidade tipo "ninguém faz um melhor", saca?
Aí na cabeça de cada vagabundo dessa cidade tem gravado um Guia Michellin dos botecos, pode testar.
Você fala e as papilas gustativas do seu oponente respondem como num duelo. E olha que eu já vi sair porrada...
- Bife à milanesa! (grita o desafiante)
- Lamas... porra... tem outro?
- É... aí você pegou pesado... mas tinha um filezinho no Cervantes antigo...
- Qualé cara, já era... o cozinheiro morreu e levou a fórmula com ele, nunca mais. Se você tá falando de um sanduichinho de lombo com abacaxi vá... calo minha boca mas milanesa, sô... presta atenção!
- Feijão amigo...
- "Só feijão" na Alcindo Guanabara, atrás da Cinelândia e sem papo!!!
- Chiiiii bicho, tenho uma má notícia procê! Senta aí, fechou prá reformar e não vai reabrir... botou os meninos na rua!
- Peraí... me dá um tempo prá absorver (respira fundo)... quer dizer prá sempre, cara?
- É... nunca mais aquela saidinha depois do Rival, dividir a mesa escassa com as velhas putas na batalha e o pessoal saindo do Bola Preta no bailão de quarta-feira... toma, pega esse lenço de papel aí, mermão. Se eu soubesse não falava!
- Snifff... vruuuuu! Tá legal... polvo à lisboeta...
- É... me pegou... mas uma lula ao brócolis é Manolo em Botafogo, com certeza! Mas diz aí o lisboeta...
- Bem, é controverso mas é no Senta Aí, meio barra, atrás da Central na Barão de São Félix... e tem um queijinho da Serra da Estrela que o portuga esconde só pros amigos...
- Sei... e você come naturalmente... tal o seu prestigio gastronômico e poder de conexão!
- Néee... não vou mentir. Eu peguei o garçom mais antigo pulando o muro e segurei a onda dele... que é meu vizinho. Aí sacomé, aquela linha estreita entre a gratidão e a chantagem... mas os 10% são sagrados!
- É mesmo... garçom é cargo de confiança mesmo, mais que "devogado" ou analista... e os caras sabem de tudo mesmo. Uma raça especial mesmo, principalmente os do Rio.
- É isso aí... e cada um tem o seu que nem time de futebol! O meu fez curso de telepatia no Tibete... faz uns vinte anos que eu não peço nada. Ele olha prá minha cara, analisa as feições do dia e traz exatamente o de comer e o de beber.
- Pó parar... é o Vieira!
- Pô... fácil essa, eu descrevi o cara antes! Olha... eu já vi fila de espera com lugar vazio, era gente esperando vagar mesa dele, é mole!?
- Chega de papo que lá vai fogo... dobradinha com feijão branco...
- Bar Aurora... nas quartas, tem que chegar cedo senão acaba!
- Ih caramba... meu amigo Amilcar comprou esse Bar há 3 semanas e me pediu para opinar nas modificações da casa...
- Porra bicho... ALERTA VERMELHO!!!! NÃO DEIXA ELE MUDAR NADA... QUE ESSE BOTECO É MEU!
- Se trocar um corrimão da escada... eu me mudo e levo o povo do Baixo Botafogo comigo! Se tirarem aquele freezer de madeira de 90 anos, então... eu... eu... me transformo num homem-bomba e detono o place! Depois de comer, é claro e antes da conta!
- É quarta meu dia de Aurora... galinha à cabidela... Seu Armando... é de comer ajoelhado!
Posted
4:20 PM
by ARMANDO GIMENEZ
DE VOLTA AOS BOTECOS
de 30/03/03
Ajusta o dial do túnel do tempo aí, cambada... qualquer coisa em Dezembro de 68, uma sexta à noite... coordenadas: Praça General Osório.
Mais precisamente são 11 horas de uma noite quente e tem tanta gente no Jangadeiro que o Passarinho (único garçom abstêmio num raio de quilômetros...) já está pondo mesinha de armar da Brahma até na esquina...
O ruído de fundo é aquele zumzum de gente falando, rindo e esbravejando, misturado com barulho de tulipa e talher com caixa registradora mais gás de chope trocando barril...
Sentados na mesa ao lado da minha (mas beeeeem ao lado mesmo...) estão aqueles dois bebuns habituês, que pelo nível da fitinha do Old Heigth já estavam entrando em alfa... mas ainda discutiam algo de "Polibolher" (um mix de futebol política e mulher) num dialeto local: o bebunês!
Na mesa ao Sul estava o Mandrake, o mágico que fazia os intervalos no cinema Poeira na esquina em frente.
Ele estava, como sempre, acompanhado de sua partner (belíssimas pernas) e de sua bicharada-ferramenta nas 2 bolsas de plástico nas cadeiras entre sua mesa e a dos bebuns.
Para as pombas e o Golias não morrerem ele deixava o zíper da bolsa meio aberto para entrar um arzinho fresco.
O Golias era um coelho Giant Blue que devia ter uns 5 quilos e foi tingido com rinsage de velha, daquela azul anil... era um sucesso.
Tirar aquele elefantelho de dentro da cartola era uma merda federal e tomava o maior tempo prá desentalar o bruto... mas tudo bem... tinha que entreter as 80 poltronas vazias (faliram) enquanto o único projetor rebobinava a fita da vez.
Prá encurtar, que estão me empentelhando com a campainha da porta... o coelhaço meteu o focinho no zíper e subiu molinho na mesa dos bebuns e começou a pastar impunemente uns aliccis com cebola da pizza cortadinha.
Que o bar não notasse, vá lá... mas os dois ali na frente não pararam nem a conversa... ambos sem a coragem de dar o primeiro alarma tipo..."- Poooorra bicho!! Tem um coelho azul comendo sua cebola..."
O animal impune ficou numa boa bem uns 5 minutos... tempo necessário para a bulha em volta diminuir até um nível de silêncio gritante... e então todo mundo passou a olhar o coelho na maior atenção, até mesmo quem se ocupava antes com as coxas da partner...
Mesmo assim, ainda nenhum voluntário para o alarma... que finalmente foi dado pelo Passarinho, o único de cara limpa na área e portanto gozando de fé pública.
- Ô Mandrake...! Recolhe o teu coelho que tá em cima da mesa dos vizinhos...
Neste momento... não antes... todos enxergaram o Coelho Azul Invasor de Pizzas... que mesmo assim... ainda ficou impune um tempão, bro, porque todo mundo estava era com medo de levar uma "dentada colateral"...
E eu ali... na mesa do lado, assisti tudo isto calado com um único pensamento:
"Cara... a gente nunca mais vai ver uma coisa assim!!!"
O que é a vida, né!? Tudo de novo... e não tem nem um filho da puta abstêmio nesse botequim prá segurar o coelho-invasor (já nem digo tirar porque esse agora é mais gordo e tá armado...) ... e 34 anos de evolução depois...
Alguém aí sabe o endereço do Passarinho?
Posted
4:18 PM
by ARMANDO GIMENEZ
ESTOU TENTANDO BRAVAMENTE...
de 29/03/03
Olha aí craud... eu estou tentando abandonar o tema com todo o meu coração... mas o fígado se opõe!
Recebi essa aí via email do Ahmed Tadeu... um fedahim amigo meu que nas horas vagas é espião inglês a serviço da British Petroleum.
Se é verdade, eu não sei, mas como está circulando vai virar com certeza.
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O Sindicato Único de Prostitutas, Meretrizes e Cafetinas
- SINDIPUTA-
esclarece à opinião pública que apesar das afirmações da maioria dos
manifestantes no mundo inteiro, o cidadão George W. Bush
não é filho de nenhuma de nossas associadas.
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Que maldade... é o fim do abandono público!
Até a familia é contra...
Posted
4:15 PM
by ARMANDO GIMENEZ
SHIII... AGORA TEM BEDUÍNO EM CAMPO...
de 28/03/03
Essa briga ainda está prá cá de Bagdá (no concreto e no abstrato) mas uma coisa é certa : está virando um duelo de marketing.
Acho que os árabes estão se tocando do peso da opinião mundial pender para o seu lado e que talvez não seja só a melhor saída, mas também a mais rápida e eficaz arma de defesa.
Tenho falado nas coxias dos bares... que a ótica do mundo começa a se bandear para o ângulo do perdedor e que esse público está mais ávido por heróis românticos, daqueles (bem clichesão) que surjam cavalgando um árabe branco puro, com um turbante negro e armado de fuzil e cimitarra...
Nem bem eu acabei de dizer isto e a notícia via Al Jazeera (ela própria uma emissora no estilo ¿heróico-alternativa¿) entra e informa que "sem o controle dos Sauditas, as tribos do deserto estão atravessando as fronteiras para lutar contra os Aliados..."
Ah, Latiffa... prá que?! É todo o ingrediente que a Inteligentsia de turbante precisa.
Livres, rebeldes, indomáveis até pelos próprios governos dos países que habitam, estas tribos gozam de um prestígio enorme entre os árabes fundamentalistas e são de quebra, endeusados por Hollywood, desde Valentino até Gary Cooper.
Os Beduínos já fizeram sua escolha e há dois dias já começam a atravessar as divisas do Kwait com a zona de guerra e há notícias de terem desencarnado (com sua baixa tecnologia) e na mão grande, alguns marines no caminho.
O ambiente geográfico hostil (sempre) também dá o maior pedal nestes enredos... a neve, a lama e areia são os agentes engolidores de ofensivas fracassadas em diversas ocasiões.
As temperaturas extremas são o agente fatigante que acaba quebrando a moral e a saúde dos soldadinhos expatriados, que deixaram a torta da vovó esfriando na janela a 12.000 milhas do oásis mais próximo. Neste momento todos eles estão ocupados em entender essa guerra que (mais uma vez...) não é a deles.
Neve e gelo em Stalingrado, chuva e selva (à vontade) para os Franceses e Americanos no Vietnam e agora vento e areia nas carinhas aliadas e cor de rosa. Só muda o cenário... mas tome o mesmo enredo...
Isso me lembra muito uma verdade animal.
Os cães que mordem *Ouriços-Caixeiro ( * porkupine folks) são de 3 classes :
1- Os que aprendem rápido, mordem até receberem o primeiro espeto no focinho... então param de morder e nunca mais confundem o bicho alvo com outro bicho qualquer
2- Os que precisam de dar uma segunda mordida... só para conferir que tem muito mais espinho e que estes... não estão ali para outro fim
3- Os que sentem dor e humilhação e continuam mordendo ligados no módulo causa-e-efeito de dor+raiva+mordida=+dor & here we go again... estes... chiii... não param até que um espinho no céu da boca... atravesse seus cérebros e ainda assim duvido que algum tenha um dia... entendido a razão de sua morte.
Parece... (cá entre nós neste boteco cospe-grosso)... que os cães vira-latas aprendem mais rápido que... os outros que comem ração balanceada!
E os que nascem na areia do deserto então... Alá akbar... consta que não precisam nem de árvore prá mijar...
Posted
4:12 PM
by ARMANDO GIMENEZ
QUE TAL DUELAR?
de 25/03/03
Paulo Tangerina é um velho amigo que vive ainda dentro de uma multi Americana... e daquelas bem prepotentes, por isso nem tentem adivinhar quem é.
O que basta para mim é sua consciência e coragem. O cara é um velho biker e jipeiro, daqueles antigos feito de ferro e couro velho mas com açúcar no coração. Mandou-me essa aí embaixo... aprendam.
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Armando
Aí vai um pensamento:
Você prefere o duelo tipo Francês?
Eu explico. É aquele em que você pega uma arma, eu outra, nos pomos de
costas um pro outro, contamos 10 passos, viramos e atiramos. Detalhe: a
arma somente tem uma bala. Se nenhum dos dois acertar, nossas diferenças
estão acertadas.
Algumas vezes alguns nobres (sem acordo anterior) atiravam pro alto...
Ou vc prefere o tipo Alemão?
Tb explico. A seqüência é a mesma, só que temos a obrigação moral de
atirar prá valer... se chegamos a este ponto vamos até o fim. Porém, se a
bala não matar... nossas diferenças estão acertadas.
Ou vc prefere o tipo Americano (do norte)?
Talvez não precise explicar, mas de qq maneira, vai lá:
você faz um discurso prá todo mundo, que eu sou um matador, daí convence
todos a pedir as balas do meu revólver (as quais concordo em entregar).
Depois desmonta todas as balas prá ter certeza que não vou usá-las. Aí
então me ataca com o seu revólver cheio de balas... novinhas... Ah! Quem
me vendeu as balas que tenho usado todos estes anos foi vc...
Estou curioso não pelo motivo do duelo, ou melhor, têm tantos que nem se
contam... mas realmente qual duelo vc prefere???
Se é que pode se chamar de duelo... para os verdadeiros guerreiros
através dos tempos, isso tem outro nome...
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Grande Tangerina....
Quarta-feira, Fevereiro 18, 2004
Posted
9:00 PM
by ARMANDO GIMENEZ
RETORNO DA GUERRA
de 25/03/03
Gente, vocês como eu devem estar cheios dessa guerra mas eu não podia deixar de tocar neste assunto de uma maneira ou de outra.
O retorno que tenho recebido é uma salada de tudo e vem do Brasil e de fora com posts, outros blogs, powerpoints tristes e um caminhão de emails... todos expressando repúdio a esse exercício de onipotência do Sr. Bushit (leia assim mesmo).
Vou parar um pouco porque preciso sentir prazer em escrever e não dá para controlar a deprê nesse assunto então, como os casais enfadados, vou dar um tempo... não é escapismo, eu estou atento mas meio desesperançoso com a espécie a que pertenço.
Espero na próxima vida voltar como um lagarto e que não seja em um deserto com petróleo.
Hoje, como nos últimos 20 anos, vivo de petróleo (pneus e lubrificantes em grandes indústrias e agora como consultor) e preços absurdos... mas genocídio é dose para hipopótamo...
Neste momento acordo cedo para pegar a senha da fila de pedir demissão da espécie humana...
"NÃO HÁ NA TERRA FERA QUE NÃO TENHA UM LAIVO DE COMPAIXÃO... MAS EU NÃO SOU NENHUMA !"
(Ricardo III de Shakespeare)
Posted
8:58 PM
by ARMANDO GIMENEZ
MINHA AMIGA TEXANA
de 23/03/03
Gente, eu, como o Leon Eliachar, não acredito em estatísticas de opinião pública, a não ser aquela que afirma que "ao sul do equador os pesquisadores são 73,85 % mais mandados a PQP que nos outros países ...", Grande Leon!
Então deste pensamento pulei pro fato de que tenho uma amiga lá na cobertura das Américas, que além de gringa, cinqüentona, é também Texana.
Mesmo com esse perfil, é uma das pessoas mais doces e gentis que conheci na vida e ama a música, a poesia, gosta como eu de viajar e de saber das gentes do mundo e por amar tudo isto, leciona inglês para estrangeiros.
Depois que deixou o Brasil onde viveu por muitos anos em Salvador (onde a gente se conheceu) perdemos o contato por um bom tempo.
Em 91 estávamos extraviados ainda e não sabíamos nada um do outro.
Quando os Bushit da hora, resolveram invadir o Iraque, na hollyhoodiana Tempestade no Deserto, seu filho tinha por volta de 18 / 19 anos e o meu coração apertou... sem saber detalhes de como eram convocados os americaninhos para a guerra...
Era como se estivessem mandando um filho meu para a morte e lembro que a gente ficou muito agoniado.
Não era admissível que mandassem para morrer no deserto aquele moleque lindo que, com 4 anos, escalava as portas da minha casa como uma lagartixa e me trazia os brinquedos para consertar.
Quando voltava dos States esquecia todas as besteiras em português que eu ensinava e misturava tudo em inglês e aquela língua estranha. Tenho uma gravação velha dele me entregando um "crane" (guindaste) explicando a avaria com a palavra nova : - Quebroke !
Acho que o Texas é mesmo um estado muito grande capaz de gerar gente e monstros...
Sei que hoje o soldado americano não é convocado... a não ser que haja necessidade.
São, na verdade, quase que profissionais esses que foram para a guerra e são tratados a "pão-de-ló" para que morram felizes... ou devia dizer a apple-pie, sei lá.
Não acredito nas estatísticas sobre quem apoia e quem não apoia, só acredito no que vejo e sinto sempre e segundo meus "dados", essa é uma guerra de poucos querendo enganar muitos.
Um verdadeiro pau-de-merda (vide estudo sócio-filológico sobre o termo em português ... no post abaixo)!
Mas mesmo assim, na minha loucura (doido tem estes privilégios) e mesmo sabendo que o nosso Alex está a salvo, gosto de imaginar a cena de outros Alex, com aquelas carinhas de bebê premiados em concurso de Talco, rasgando em público seus cards de convocação e gritando em frente à Casa Branca:
Sorry, Mr. Bushit... mas além deste card... algo dentro de mim também "quebroke"!!!!
Sorry, Doris querida... agora traduza e explique aí pro pessoal de cima!
Posted
8:56 PM
by ARMANDO GIMENEZ
BRIGA DE MOLEQUE
de 20/03/03
Poucos talvez saibam da origem da frase "pau de merda" ou mesmo a mais usada versão "cagou no pau" mas vocês já sacaram que eu tenho a chave da questão e vou contar... até porque escatologia também é cultura.
Nos anos 60 a gente tinha aí (entreguei de novo) uns 12 anos e andava em bandos, meninos e meninas. O lance era armar uma briga qualquer de farofada e só quem não saberia da palhaçada era quem estava em volta sem nem entender como começou tudo.
Então, era muito importante que ninguém entendesse dos motivos, que todos fossem levados a tomar um partido, mesmo sem entender porque e que os ânimos estivessem bem quentes...
Daí o artista principal se apresentava para enfrentar o idiota mais machão e irado... mas ia armado com um pau ostensivamente brandido.
Ameaçava com o pau várias vezes até que o vilão dizia em alto e bom som:
- Vem na mão, seu babaca que eu te arrebento... larga esse pau que eu te mostro... (ou coisa que valha).
Nessa hora o artista esticava a arma num rasgo de macheza e entregava para o escudeiro ao lado recolher a peça...
Ocorre é que a ponta oferecida tinha sido previamente passada na merda... de forma discreta mas farta... daí o nome...
O interessante era o ato da entrega:
- Segura aí prá mim, cara...
E o eleito segurava...
Mas antes que sua mão fechasse completamente o pau era puxado de forma pública e notória deixando o novo herói cagado... e puto.
Bem... já entenderam a brincadeira e origem provável do termo.
Mas... há outras considerações que atualizam a farra.
O objetivo além de ridicularizar o vizinho, era fazer o oponente saber, de fonte confiável, alguns detalhes importantes:
1- Se eu sou capaz de sacanear um amigo meu... imagina o que eu farei com você...
2- Como podem notar eu não tenho a menor intenção de me desarmar e eu... ainda possuo o pau.
3- Além do mais, está contaminado... agora é uma arma química... cuidado maior meu chapa...
O cagado de pau, coitado, quase sempre demorava a crer que tinha sido vitimado pelo melhor amigo... mais das vezes levava um minuto e até dava uma cheirada boa... bem depois... para conferir... (uau... thats real shitt !!!)
A última vez que assisti esta cena foi assim:
Quem segurava o pau era um americaninho filho de papai, oligofrênico e babaquinha que tinha se mudado pro quarteirão de cima no ano passado... chamado George.
Eu nunca ia imaginar um otário que ele pudesse enganar com todo aquele QI de ameba... mas tinha um... era um inglesinho boboca chamado Tony!
Quando foi isso mesmo, meu Deus?
Ahhh... lembrei, foi ontem mesmo, dia 19 de Março de 2003 às 20 horas... horário de Brasília... a briga já começou mas... o inglesinho ainda está incrédulo e de nariz franzido!
E meus netos chegando nesse mundinho de bosta... me lembrem de não ensinar essas brincadeiras prá eles!
Posted
8:54 PM
by ARMANDO GIMENEZ
AINDA DEUS E MKT...
de 17/03/03
A Bia, por tabela, acabou me lembrando dessa. Só posso agradecer!
Eu escrevia causos de empresas como colaborador do Scott Adams, autor do "Principio de Dilbert" e pai dos quadrinhos famosos que começaram quando ele próprio era engenheiro em Baltimore (17 anos em uma multi) e fazia os cartoons de sacanagem sem desconfiar chongas que ali é que ele ia se realizar.
Ele recebe hoje cerca de 400 colaborações diárias do mundo todo e diz que tem que abrandar às vezes a realidade que costuma ser mais gozada e inverossímil que a ficção. Deu como exemplo no livro a "missão" descrita por uma equipe de Marketing que ele não retocou nada e era um primor de onipotência:
"QUEREMOS SER OS PRIMEIROS DO MUNDO EM DOIS ANOS NA PRODUÇÃO DE DETERGENTES DOMÉSTICOS E COMUNICAÇÃO DE DADOS POR SATÉLITES" ( tá lá no livro seus incréus!)
Boquiaberto fiquei mas ele deve ter ficado mais ainda com o que eu mandei em seguida (jamais direi o nome da empresa/ palco... que além de meu ex-patrão hoje é minha cliente). (Sancla cala a boca!)
"SIMPLESMENTE O MÁXIMO" era a frase... é isso aí mesmo e olhem, ficaram 3 dias trancados num hotel até sintetizar essa pérola... ah e eu não esqueci de acrescentar que o homem de MKT que bolou essa me confessou com o passar dos anos... pasmem... que falava com Deus.
Não era licença poética não... falava mesmo... 2 vezes por dia, tipo linha vermelha lá prá cima mesmo... diretona e sem extensão!
Mas acho que o Homem não gostava muito dele porque ele não acertava nenhuma prévia de vendas... aniuei...
Terminei o texto do email, meti meu pseudônimo que eu não era besta nem nada ( eu era viciado em contracheque e minha família em comida) e então... apertei a porra do SEND sem dó nem piedade... lá prá Baltimore.
Já estava de bom tamanho como causo aí mesmo, né? Só que eu nessa época tinha um assistente administrativo que era Testemunha de Jeová do tipo 3 que, na escala de zero a 5, é aquele que convive com você já tendo desistido da sua conversão, saca?! Também conhecido como " Missionário Apassivado"...
Ele estava treinando o Inglês e por isso me perguntou o que era aquele texto no micro e eu:
- Leia aí cara, na boa, com calma você vai entender...
E eu fiquei olhando as expressões de seu rosto, tentando sacar em que ponto da leitura ele estava (gosto de fazer isso com a Nanda), até que ele chega no pedaço quente do "telefonema diário" do cara de MKT... usando o DDP (discagem direta pro paraíso... deve ser uma grana celeste o impulso...)
Eu me lembro bem que eu não toquei (no texto)... em nenhum momento, no assunto religião mas só no fato diferente...
Ele para de ler, franze a testa e comenta solene:
- Chefe... e eu que nem percebi que ele era Evangélico!!!
Fiz um esforço sobre-humano e NÃO RI... (acho) .
Tive que esperar sim, um século, até ele sair da sala e eu voltar para o teclado correndo...
"Dear Scott... desconsidere último texto... ainda tem mais... believe me, you´ll beguin to see the ligths, brother! ..."
Ele deve ter gostado porque me mandou um comentário depois de jejuar 3 dias, sabendo que eu era (nas horas bem vagas) um biker (motociclista de grupo)... me contando então o que dava o cruzamento de uma Testemunha de Jeová com um Hell´s Angel e que eu cuidasse por isso, de não comer nenhuma:
"É UM SER HORRENDO, MR. ARMANDO, ENORME, CORPO CHEIO DE TATUAGENS SACRAS... QUE BATE NA SUA PORTA DOS FUNDOS TODO DOMINGO DE MANHÃ COM UMA BÍBLIA... E QUANDO VOCE ATENDE ELE TE DIZ:
- FUCK YOU MAN!!!"
É algo mais saudável... sem dúvida, que um Executivo de MKT com contatos celestes!
Posted
8:46 PM
by ARMANDO GIMENEZ
ESSA É DE DEUS
de 17/03/03
Vê aí se alguém conhece o autor.
É colabô da Bia que selecionou e da Nanda que me enviou... como gostei, lá vai...
########################
Momento distração: circula por email um texto que sugere que o mundo foi
criado a toque de caixa por uma agência de publicidade, a pedido de um
cliente misterioso. Não é à toa que não funciona.
Vicente Tardin
Mais um daqueles emails de autor desconhecido que circula entre
publicitários debochando do processo de criação das agências, que pode ser
bastante absurdo. A começar pelo briefing simplificado como costuma cair na
ponta final de quem tem trabalha em regime quase fabril (sem os benefícios
e horários estruturados dos operários), seguido pelo desenvolvimento nonsense.
Este texto não é tão agudo como aquele do sapo cor-de-rosa (Nos bastidores
de uma campanha continental), mas não deixa de ser divertido. Foi enviado
pelo Pedro Frazao, que também escreveu um comentário, lá no final do texto.
Quem souber o autor, por favor nos avise para que fique registrado aqui.
Lá vai:
O mundo como criado por um publicitário
Não resta a menor dúvida: Deus trabalhava na criação de uma agência de
propaganda e criou o mundo por obrigação profissional! A troca de emails
deve ter sido mais ou menos assim:
De: Atendimento
Para: Deus
Pedido: Favor criar o mundo.
De: Deus
Para: Atendimento
Briefing incompleto. Solicito informações mais detalhadas.
De: Atendimento
Para: Deus
JOB
O cliente solicitou que o mundo fosse redondo, colorido, que fosse claro
durante o dia e escuro pela noite. Pediu muita água nos rios e mares e
nenhuma nos desertos. Quer que no verão faça calor e frio no inverno. Quer
plantas que cresçam na terra e animais que respirem. Montanhas altas,
depressões baixas e planícies planas.
RESTRIÇÕES
O cliente não quer acontecendo ao mesmo tempo chuva e sol, a não ser por
ocasião de casamento de espanhol.
MÍDIA
O cliente pretende fazer uma inserção deste mundo no sistema solar e
deixá-lo rodando lá por tempo indeterminado.
OBRIGATORIEDADES
Nós tentamos tirar essa idéia da cabeça dele, mas não houve jeito, ele
bateu o pé: quer colocar gente no mundo.
De: Deus
Ah, essa não! Como é que eu vou trabalhar desse jeito? Não vai caber! É
muita informação para um mundo só. O ideal é fazer um mundo e uma luz para
dividir as informações. Além do mais, gente no mundo nós sabemos que não dá
certo. Nós podemos deixar as pessoas na lua e para o mundo a gente retoma
aquela idéia dos Incas Venusianos.
De: Atendimento
O Cliente aceita a idéia da lua, mas só para enfeitar, controlar mares,
orientar cortes de cabelo e fazer agendas. Todo o resto ele continua
querendo ver dentro do mundo, inclusive gente.
De: Deus
Já estou vendo que esse cliente é do tipo buraco negro!
De: Atendimento
Também não é assim. É que ele nunca fez um mundo antes. Ele não tem idéia
de como toda essa coisa funciona. A gente peita, mas até um certo limite.
Se ele quer pôr gente no mundo, OK. Ele está pagando e acha que o ser
humano pode dar certo. Vamos tentar?
De: Deus
OK. Eu faço o trabalho. Qual é o prazo?
De: Atendimento
Ah, graças a Você! Quanto ao prazo, está estourado. Você só tem 7 dias para
criar o mundo.
De: Deus
Impossível! Não dá! Isso aqui não é padaria e a pauta está lotada! Eu
preciso de mais prazo. Em sete dias ninguém consegue fazer um mundo decente.
De: Atendimento
A questão é que se não estiver pronto daqui a uma semana, o cliente vai
perder o espaço reservado. Infelizmente, não tem outra alternativa. Estamos
com o faturamento de fevereiro em baixa. Deixa para ganhar Grand Prix no
Salão com outros trabalhos. Daqui pra frente você pode criar mundos melhores.
De: Deus
Isso é um absurdo! Um mundo não se cria assim, como quem apaga uma estrela.
É um processo delicado, que exige tempo. Ou a Gente faz como tem que ser
feito ou esse mundo está perdido.
De: Atendimento
Você está exagerando. É só um mundo. Coisa pouca. Se fosse um sistema
solar, uma galáxia, vá lá. Mas um mundinho destes? É querer gastar energia
demais numa poeira cósmica.
De: Deus
Bem, lavo as minhas mãos. Mas quero deixar registrado aqui o Meu protesto.
E é bom que não se esqueça mais pra frente, que se alguma coisa der errado
foi porque, desde o princípio, o briefing entrou errado. Até Eu duvido que
vá sair alguma coisa boa disso.
De: Atendimento
Você me livre, vire essa boca pra lá! Se Você quiser, tudo vai dar certo.
Aliás estamos tão confiantes que vamos fazer um making off escrito. Tipo um
livro contando como tudo começou e etc. E não se preocupe, Você vai ficar
com todos os créditos. Não esqueça, hein? Você tem apenas sete dias.
De: Deus
Olha, pra ser franco, esse cliente não merece coisa melhor. Vou matar esse
trabalho rapidinho e tirar da frente. Em seis dias eu crio o mundo e ainda
vou ter um dia pra descansar.
De: Atendimento
Você é quem sabe. Também podemos ir pensando numa campanha de manutenção...
De: Deus
Nem pensar! Se precisar, depois Eu mando Meu filho lá pra dar uma
olhada...
...............................................................................................
Para fechar, o comentário do Pedro, que já trabalhou em agência e hoje está
no departamento de marketing e comunicação de uma grande consultoria:
"Agora para pensar: só aceitamos fazer trabalho sem prazo porque se não
fizermos, outros farão. Só aceitamos trabalhar mal remunerados porque se
não aceitarmos, outros aceitarão. Mas quem será o primeiro a dizer não?
Será que é utopia querer trabalhar dignamente em uma agência ganhando o justo?
Imagine um publicitário recebendo todo dia 15 e 30 de cada mês, com
participação nos lucros, benefícios, carteira assinada, férias, 13º, hora
extra e respeito ao horário de saída às 6h da tarde. É, isso deve ser
utopia, mas alguém tem que dar o primeiro passo. Eu não agüentei o tranco,
e virei cliente. Se isso mudar, eu volto a ser agência. Parabéns a quem
agüenta o tranco." [Webinsider]
Posted
8:43 PM
by ARMANDO GIMENEZ
O ARTISTA DE ÁGUA E LUZ
de 12/03/03
Às vezes eu me sinto como entrando no Túnel do Tempo, rodando naquela espiral fajuta e sendo jogado às cambalhotas... na praça Santa Rita, bem no Centro de Cataguazes... de novo.
É 1968 e eu estou com Paul Baker (Paulo Padeiro) e Raimundão sentado ao lado da Igreja Matriz da Praça Santa Rita, sem porra nenhuma para fazer até às 22 hs, quando os mortais se recolhem e a vida local começa... pelo menos para nós seresteiros, boêmios, comunistas e vagabundos.
Então minha opção é sacar as coisas em volta e o que havia de diferente eram os chafarizes com luzes coloridas no laguinho. Parecia simples assim de início...
A área é jurisdição moral do Pe. Solino, (estado de fato) e a Prefeitura é a responsável por manter o Patrimônio (estado de direito).
Nem sempre estas duas forças políticas concordam... vez por outra até se confrontam.
O problema da prefeitura passa pela arrecadação, pelo êxodo de jovens da nascente força de trabalho, o crescimento vegetativo, a idade média da população envelhecendo (subindo) e todas esta coisas que pré-ocupam os prefeitos de qualquer cidade pequena.
Ué uai... como diria o Padeiro... nóis aqui pensano nesse trem pulitico e assistindo chafariz mudá di isguicho e di cor das luzes... sô!?
Foi aí que eu saquei que o treco era randômico mesmo... tinha 4 tipos de esguicho, com pressões diferentes e as cores mais despernadas possíveis... mas não tinha padrão de repetição. Cada vez era diferente a combinação.
E tome lateral azul com meio roxo... e os da ponta do laguinho amarelos alternando com vermelhos... e fechava tudo ficando só no centro ligado a toda pressão e bem verde...
Aí eu imaginei um controle de relés elétricos com comandos fechando válvulas hidropneumáticas e mais temporizadores, mais o caralho a 4... entrando em tempos variados nos holofotes... olha... um delírio de tecnologia... até que eu saquei 3 coisas fora deste padrão de caos:
1- De repente um verde e amarelo meio arremedo da bandeira, nãaaao... olhando melhor uma bandeira bandeirosa mesmo! Então não era acaso mas era... causado!
2- Tinha uma luz fraca amarelada que não apagava nunca e era fora do laguinho... era no meio das begônias no jardim ao lado
3- De vez em quando apagava tudo e ficava escura a praça toda por alguns minutos... menos as begônias que continuavam acesas.
Perguntei para o nativo presente, Raimundão "o Fino", que luz era aquela "me diz aê você que é da terra":
- Uai... e lá sei eu o que é essa porra no meio das plantas, sô! Vai lá e óia ocê... carioca besta...
E eu fui. Me meti no meio das bromélias e dos comigo-ninguém-pode e a luz... saía de um buraco no chão de 80 X 80 cm com uma escadinha de marinheiro se perdendo lá embaixo.
De repente alguém subia pela escadinha e eu dei aquela recuada estratégica para ver de longe, aparecer uma cabeça de velho entre as moitas e dois braços compridos que acenderam um cachimbo e o colocaram entre os lábios.
Vi que ele fumava e admirava a bandeira-bandeirosa entre baforadas orgulhosas.
Vocês já mataram... era o autor dos arranjos do laguinho, que acabei conhecendo e que me convidou para conhecer seu ateliê de torneiras e disjuntores.
Nada moderno como eu imaginara, mas um amontoado de canos e bombas para cada repuxo e uma porrada de chaves interruptoras para os projetores entre os jatos de água. Gambiarra e improviso prá todo lado...
Era uma festa de fecha aqui, abre ali, liga e desliga... um artista e nos intervalos, subia para apreciar sua arte, meio pelo vício do cachimbo, mas visivelmente orgulhoso também por sua criatividade.
Fazia isso (parece), havia anos e fui ficando mais curioso sobre o que motivava o cara. Então acabamos nos conhecendo melhor... mas eu perguntava muito.
Não me lembro de seu nome ( mas vamos chamá-lo de Toupeira da Prefeitura), mas lembro da entrevista principa .
AG- O Sr. trabalha para a paróquia do Padre... Seu TP?
TP- Nãaaaao... eu sou funcionário especializado da Prefeitura de Cataguazes! Estou "afeto" à Comissão de Parques e Turismo!
AG- Há muito tempo?
TP- Já estou "faz" mais de 4 administrações... esta agora é até da Oposição, meu fio... não quisero ou não pudero me afastar da praça.
AG- Dá prá notar, pela reação das pessoas, que seu trabalho é prestigiado pelo povo... (arrisquei o tempero político).
TP- É mais quiisso, fio... se ocê prestasse atenção descunfiava da minha estratégia... mas tem que ficar entre a gente... que ocê me estraga a pulítica... mas vou te dar a chave da operação...
O Padre confia em mim e eu conheço esse padre... apesar de eu ser socialista e ele ser um burguês moralista discarado... e também... sei da importância do meu cargo pro crescimento da economia desta aldeia.
Presta atenção... agora, quando eu meto o vermelho no centro é porque meu secretário camuflado lá do outro ladim da praça, puxou o barbante do guizo e a barra sujou, já se eu meto o amarelo, o pessoal se tranqüiliza... (ele falava dos casais na única praça de namoro do pedaço... ERA ISSO...) e melhora a qualidade dos amassos...
AG- Seu TP... então a porra do verde funciona como...?
TP- Ahh, meu filho... ele pode aparecer no chafariz que for, mas sempre todos estes anos vem depois de um amarelo central confiávio e antes dum apagão de 3 minutos prá garotada se espalhar nos beiços e nos dedim.
AG- Eitchaaa... que o Sr não deve pagar nada que bebe nesta cidade de tanto amigo...
TP- Não, meu fio... eu num bebo no "exercício do dever", tenho que estar atento à minha missão!
Impressionado com o tom marcial da declaração, fui mais fundo...
AG- Sua missão?! Tem mais?
TP- Prestenção: eu sou o responsável pelo crescimento (vegetativo) desta população, pela oferta de mão de obra futura e o (conseqüente) aumento de arrecadação do município... não que a moçada consiga fazer algo na Praça mesmo, que 3 minutos afinal não dá prisso... mas é do tesão reculhido desses intervalim... que cumeça nos breque do chafariz ... é que são armados os outro ¿insguixo¿ que fazem a população local crescer.
Mas não espalha que ocê me estraga, sô... eu sou o concorrente do coveiro de Cataguazes e este ano ganhei dele por 750 cabeça... só contando os bichim registrado... de ambos os lados! Aqui se trepa e se mata muito no paralelo, meu fio...
AG- Isso quer dizer que o Sr. aumentou a população em 750 pessoas descontando os mortos do mesmo período?
TP- Mais ou menos... tem um calculo aê... que a oposição faz... que fode cum os meu números num detalhe técnico que eu não posso negar... ( o cara era o maior técnico atuário e enterrado naquele jardim...)
AG- Qual, Sr. TP... temos que discutir isto que desmerece seu esforço pessoal contra essa direita emperrada e cínica... (já lasquei escancarando minha adesão incondicional ao Movimento do Repuxo Cívico)... qual... qual?
TP- É que em 7 nascimentos entre cada 10... meu fio... fogem 7 rapazes solteiros... e aí pega... porque destes 7... 6 vão pro Rio... e não voltam nunca mais pressa bosta de cidade!
O papo tá muito bom fio... mas dexeu vortá lá prá baixo e apagar este alerta vermelhão de merda... que ocê tava mespiando entre as begônia... mas javi quiocê é dos nosso!
Bicho... uma toupeira com consciência de classe... que barato!
E ele não bebia meeeeesmo... só uma vez... prá comemorar... no dia que soltaram na delegacia (depois de fichado e inutilmente interrogado)... um ladrão de galinhas amigo dele.
Terça-feira, Fevereiro 17, 2004
Posted
11:11 AM
by ARMANDO GIMENEZ
SEU HORTA ESTRILA
de 16/03/03
O Ricardo me escreveu tão veemente que eu dei o direito de resposta aí no corpo do Blog... também o cara é que me pôs aqui como vocês podem constatar.
Ele tem razão sobre eu não me lembrar direito dos detalhes de quando ele me puxou pelos cabelos, mas lembramos bem quando puxamos o cara pela neoprene... esta negação toda é mera proteção de uma reputação ameaçada.
Bobagem dele, ele não corria risco nenhum até porque não faz o meu tipo... mas esse negócio de homem vestido de baiana e sei lá mais o que... sei não, eu nunca vi o cara com erva estranha nenhuma a bordo... mesmo com esse nome suspeito ... Horta... enfim... ouçamo-lo!
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"Depois de velho tá ficando esquecido?
Eu não lhe tirei da toca puxando pelos cabelos mas pelos pés, pelo pé de pato, parece que neste instante você acordou ou "desentalou" da toca, e veio saindo de costas, quando chegou na superfície estava meio apagandão mas conseguindo falar.
Cara que água clara estava fazendo naquele dia do lado de fora da ilha, era um daqueles dias especiais! E quanto àquele barco que encontramos no meio do canal, não lembro nada deste lance do "neoprene apertado", você sonhou ou tá querendo me chamar de gordo, logo quem...! Na verdade lembro que chegamos a subir na Traineira para comer churrasco com os caras e ajudar a detonar o estoque de cerveja que eles estavam carregando. Estava todo mundo de fogo, nós inclusive. Tinha um negão gordo vestido de baiana, com cocar de índio dançando no teto do barco, todo mundo se divertindo com muita música, comida e bebida; e em respeito às namoradas da época, eu não guardo nenhuma recordação de presença feminina na traineira.... Lá pelas tantas você começou a insistir para irmos embora e foi a primeira vez que vi você ser cuidadoso e querer cair fora do "programa". Mais tarde no nosso "barco" você nos explicou que a churrasqueira estava armada em cima do tanque de diesel (!!!) e que certamente aquela aventura não ia acabar bem. Na época o que mais me chamou atenção foi o fato dos caras terem jogado a âncora no meio do canal, esquecendo de amarrar a outra ponta da corrente e estarem à deriva pelo canal a fora, com o motor pifado - mas com a quantidade de cerveja que havíamos bebido, isto estava me preocupando muito pouco, he, he.
E esta é a estória verídica conforme consta nos almanaques, no mais recomendo comprimidos de ginkobiloba, se bem, mal não faz.
Abraços, Ricardo"
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Estou indo pro mar fazer mais merda na vida (tá uma manhã duca), quando voltar... se for bom eu conto, é claro.
Eco 37... eco 37... Schelandia levantando os ferros QAP (na escuta) canal 68...
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11:09 AM
by ARMANDO GIMENEZ
DE LONGE PARECIA... FAZER O QUE?!
de 09/03/03
Estávamos lembrando dessa ontem mesmo, no mar e no mesmo local que aconteceu, acho.
O Ricardo tinha resolvido voltar pro mar depois de longo tempo sem comparecer nos pesqueiros (faz uns anos).
Andava ocupado lá na África engordando os lucros da Odebretch e seus próprios pneus da barriga.
Conseguiu a duras penas, vestir novamente a antiga e heróica neoprene (roupa de mergulho) no curto espaço da Maria Panela, uma caçarola de alumínio que eu insistia chamar de barco. Que nem mala pequena, quase tivemos que sentar em cima dele prá fechar a roupa.
Bom, aquele fecho eclair agüentou a pressão na boa. Nunca mais abriu... mas agüentou!
Cabiam no "barco" eu, o Rui e o Ricardo nas CNTP... ou seja, mais a montoeira de tralha que a gente coleciona e leva junto sempre.
Até aí estória nenhuma, só que na volta do mergulho, tirá-lo daquele aperto com a jaqueta e calças encharcadas, barco cheio, mais cheio de água e peixe... o buraco era mais embaixo.
Então ficamos em pé no deck os 3... o Ricardo no meio entalado na roupa e meio inclinado na pose que Napoleão perdeu a guerra... O Rui por trás puxando as calças e eu na cabeça da fera desenrolando a jaqueta e puxando também... a cena era no mínimo diferente naquelas latitudes... (ou não... sei lá).
Acho que ele deu uns gritos, não lembro bem... o que eu me lembro bem é que vinha uma lancha grande na nossa direção que diminuiu a marcha e parou...
Vimos o reflexo de um binóculo, que não devia ser grandes coisas... para o capitão (não sabemos quem são) tomar a decisão que tomou...
Manobrou 180 graus e foi procurar outro pesqueiro prá não estragar nossa "festinha".
Dizem que foi por isso que o Ricardo parou de mergulhar e procura aquela tripulação até hoje prá esclarecer as coisas...
Bem ele eu não sei... eu, depois disso, troquei de barco prá proteger o resto de reputação que nos resta!
Já pensou manter um barco que poderia passar a ser conhecido como a "Gaiola das Loucas"?... pô mermão... eu sou espada!
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11:07 AM
by ARMANDO GIMENEZ
O ANJO É COMPETENTE
de 09/03/03
Esse cara da nota aí embaixo é co-responsável por eu estar hoje aqui enchendo as vossas orelhas. Já saberão aguardem...
É dele a nota no Livro de Visitas sobre o post " NO FUNDO NO FUNDO" que fiz durante um ataque de saudades do amigo:
"É cara, quer coisa melhor na vida do que lembranças de amigos e mergulhos em águas claras? Sorte nossa a vida ter nos dado esta chance.
Um grande abraço, Ricardo"
Ele mesmo reclamou que eu estava meio pesado no blog e eu respondi "...enxuga aí os faróis, assoa o ranho do nariz e volta a ler os posts debaixo... que tem coisa de rir..."
Me ocorreu é que eu também fiquei no fundo do mar, já como bola da vez e na pior delas foi o Ricardo que me trouxe de volta ao planeta.
Eu estava tirando um arpão preso dentro de uma toca apertada que só cu de sapo. Cheguei a livrar o arpão e vi de lá de dentro a corda sendo recolhida por ele da superfície, uns 10 metros acima.
Era coisa pouca prá nós naquela época e mesmo hoje.
Só que duas coisas mais aconteceram, uma bela onda descendo do costão da Cotunduba me socou no fundo da toca e a outra... a outra é que o Ricardão estava de olho e foi lá me buscar pelos cabelos.
Eu já estava dormindo e com o passaporte no túnel... então... ele é um pouco responsável por tudo que fiz depois, esse Blog, filhas, neta, fábricas... e até um fejãozinho maneiro que solapei no almoço com costelinha fresca de porco faz nem 10 minutos...
Depois que (e se) acordar da tora eu publico isto e outra...
Nota: o Ricardo é um dos mais fissurados mergulhadores dos de quem usufruí (ia falar desfrutei mas ia pegar mal, deixa assim) a companhia durante muitos anos. Agora está ocupadíssimo criando a montoeira de filhos que produziu... bem feito!
Posted
11:04 AM
by ARMANDO GIMENEZ
NO FUNDO NO FUNDO...
de 07/03/03
Há pessoas que de tão diferentes que são chegam a nos balançar diante da idéia de serem híbridos com animais.
Você, meu amigo, é meio golfinho e meio humano mas algumas vezes me surpreendeu de forma a duvidar de sua metade humana.
Me lembro de estar há 25 metros da superfície e tê-lo visto saindo de uma caverna no pé da Rasa de Guaratiba, lá no fundo de um mar de água destilada daquelas que a gente não enxerga um camarãozinho na frente de tão limpa.
Era uma manhã especial, 10 horas e você acabava de me levar na última ilha que faltava me apresentar no Rio. Uma espécie de formatura minha, Vado!
Eu lhe ofereci ar porque eu estava com um aqualung nas costas mas você, como sempre, estava só de sunga e neoprene e seu ar era aquele que você trouxe lá de cima dentro do peito como de costume.
Você fez que não com a cabeça e me sorriu por trás do snorkel apontando a entrada da caverna me dizendo "vai lá dentro cara..."
Eu fui e olhei em cada canto sem entender o que você queria me mostrar... mas o tempo todo o vi ali... me esperando sair depois de uma eternidade... e você segurando o fôlego.
Eu esperava vê-lo subir de volta para o ar, mas você me surpreendia sempre e apenas voltou lá para dentro da caverna... tranqüilo e sereno como se respirasse... até sair lá de dentro novamente, agora com duas lagostas imensas... (uma delas de tão grande está embalsamada na parede do meu escritório, até hoje, meio demolida, porque tenho medo de tocá-la e desmanchar a bicha).
A sua serenidade só acabou quando você saiu do buraco e explodiu numa risada de bolhas... como quem diz "você não viu, sua anta cega... essa ao termidor e essa no leite de coco!" sacudia as duas mãos.
O que sempre me impressionou nesse "causo", Vado, era que você sabia sempre que elas estavam lá e as deixou para que eu as descobrisse com todo o aparato pendurado que eu tinha e isso é bem de você, cara... bom humor e generosidade no seu estado mais puro.
E eu fico procurando onde estão suas guelras... lembro de uma vez ter achado seu batimento cardíaco em 40 por minuto... como o de um bicho hibernado, cara... até que provem o contrário você não é terrestre.
Ontem você perdeu seu parceiro no fundo do mar e me telefona desesperado querendo mergulhar lá no sopé do Pão de Açúcar... no local exato onde ele foi achado. Ele ainda está sendo velado e nossa adrenalina ainda está a 1000. Não é uma boa hora cara... e o mar virou.
Eu entendo a sua aflição por não ter ido neste mergulho, mas depois de 5 dias na Ilha Grande você resolveu parar um ou dois dias descansando, não se culpe.
E o Rickie, na fome e tesão de seus 18 anos saiu, para mais uma vez buscar o peixe, mas desta vez não conseguiu.
Agora nós gritamos um com o outro no telefone e nossas mulheres gritam atrás, para a gente não ir... mas e se eu não for... e algo acontecer, eu vou me sentir depois... como você se sente agora Vado.
Então fomos... os dois juntos pro fundo... debaixo de chuva e vento, lá onde seu parceiro entregou os seus dezoito anos por um peixe.
Você chegou no fundo primeiro e estava ajoelhado facilmente na areia com seu lastro de chumbo e mais o dele, encontrado exatamente onde o bombeiro o desafivelou para fazê-lo flutuar ontem.
Achei a sua arma disparada e uma imensa garoupa arpoada e agonizando há 20 horas no fundo de uma toca. Acabei com o seu sofrimento.
Agora você sabe, cara... não ia fazer a menor diferença você estar lá, tudo aconteceu muito rápido, só nos resta agora recolher o seu equipamento e voltar para enterrá-lo.
Naquele momento me lembro de estar sinalizando para subir e você me pede um tempo... alguns minutos, para que eu pudesse vê-lo uma vez apenas, em todo este tempo... triste e chorando muito mas escondido de todos no fundo do mar.
Só eu o vi assim, Vado e tive que enfiar os dedos no seu cinto e puxá-lo prá cima firme até que você me devolveu o sinal de "tudo bem ...eu vou!"
Vi você arrancar a máscara um metro abaixo do fundo do barco e lavar o rosto prá deixar lá as últimas lágrimas e então subir.
Até este dia eu nunca tinha visto seu rosto sem um sorriso, cara!
Acho que tenho que guardar essa sua expressão nova, como um filme mal dublado, não é a sua, mermão... você é o outro que ficou lá em terra.
Hoje você está no fundo de novo comigo, no mesmo lugar e 7 anos depois... e como eu queria que essa fosse conta de mentiroso...
São 6 horas da manhã do meu aniversário e nós estamos juntos mais uma vez em 22 metros de fundo e você me parece calmo agora.
Seus olhos claros estão abertos e meio embaçados pelo frio, mas não choram mais.
Sua lanterna está descarregada e nós o procuramos desde ontem, cara.
Tinha que ser eu a achá-lo... sacanagem!
Eu o abandono agora no fundo pela primeira vez na minha vida e espero no meu barco até que venham buscá-lo... outro que não eu, Vado... e me perdoa se eu não o olhar mais nessa vida cara.
Quero você rindo, mermão e nunca mais vai ser assim de novo por aqui.
A gente continua pelaí mergulhando nem que seja prá soltar ancora agarrada... o resto que dá... mas nunca mais nos seus lugares e nunca mais do mesmo jeito... uma parte da bossa foi com você, cara.
Eu já não aperto um gatilho faz muito tempo e me disfarço prá entrar em peixaria... ou coisa pior: estamos (ecatblearghhh!) pescando de linha, você já deve ter visto daí.
Uma tristeza, enfim... antes de chegar na Marina a gente arpoa os bichos... tudo no centro e é claro sem testemunhas, só prá manter a lenda.
Meu parceiro virou surfista e nem sempre está disponível também... fica lá na fila de fora, a dos decanos... "esperando a boa ", na Macumba e Prainha.
Tem onda lá que quando levanta os "meninos", se a gente puxar uma maquininha e somar rápido as cabecinhas brancas... dá uns 1.200 anos por marolinha... isso por baixo!
Sua filha é uma loura linda e alta e espero um dia queira ouvir tudo sobre o pai meio gente e meio golfinho.
Dizem que a pesca aí por cima é massa, meu irmão ( o Administrador da área era pescador também... um tal de Pedro...) e sei que vamos rir muito juntos de novo na próxima caçada.
Tenho é muito medo que você já tenha limpado os pesqueiros todos daí... ou então que me mandem para outras latitudes mais quentes e... sem praia...
O Rui me garante, sob a luz da moderna teologia... que os peixes daí são os que mandamos daqui... então cqd... ainda tem peixe prá caralho aê, bro!
Mas se você ainda é generoso... manera um pouco... até a gente chegar, Vado.
Te cuida cara... protetor mil no couro que o Sol tá aí do lado mesmo... e pele de anjo, sacumé... é uma bosta de fina!
Nota: Oswaldinho foi o maior mergulhador que conheci e tem muita estória dele prá
contar... assim que eu me recuperar começo, prometo.
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